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A origem do cooperativismo de crédito no Brasil e como gente que coopera cresce

Homenageando o Dia Internacional do Cooperativismo pergunto se é possível o cooperativismo de crédito e o SICREDI, a maior instituição participante, aumentarem a participação de 6% (50% do SICREDI) para 10% do mercado financeiro brasileiro nos próximos anos?

Para responder a esta pergunta fui conhecer a origem do cooperativismo de crédito e do SICREDI no Brasil, na Linha Imperial, em Nova Petrópolis, no RS e o Centro Administrativo do SICREDI em Porto Alegre.

O Presidente Edson Nassar relatou que no mundo existem 60.500 cooperativas de crédito, em 109 países, que congregam 223 milhões de associados.

No Brasil são 1.097 cooperativas, com 5.500 agências e 8,9 milhões de associados. Somente o SICREDI tem 121 cooperativas filiadas e congregadas em 5 centrais, com 1.500 agências distribuídas em 20 Estados, 3,3 milhões de associados e 20,9 mil colaboradores. Inclusive tem uma agência plantada no coração do sistema financeiro do Brasil, a Avenida Paulista.

No primeiro semestre deste ano, o Presidente informou que os ativos cresceram 24,6%, atingindo R$ 62,1 bilhões, as captações a prazo cresceram 37,5%, a poupança 23,6% e a carteira de crédito cresceu 12,6%, registrando R$ 31,7 bilhões. Estes números são impressionantes porque no Brasil, no mesmo período, o crédito total e a captação em poupança reduziram.

Para entender o que representa este desempenho é necessário conhecer a origem do sistema na Linha Imperial. A antecessora da atual Cooperativa Pioneira foi criada pelo Padre Amstad, em 1902. Visitei a primeira sede própria, que hoje abriga uma agência e o museu que conta a história do padre e dos 19 agricultores associados que a fundaram. Surgiu e cresceu a partir de impressionante de visão de futuro, princípios de solidariedade e cooperação e muito trabalho.

Visitei também a segunda agência criada e em funcionamento, em Nova Petrópolis, e o monumento erigido na praça em frente e formado por sete pessoas que representam os princípios básicos deste sistema.

Conhecendo a origem e o caminho percorrido até chegar aos números atuais, entendi melhor os grandes diferenciais do cooperativismo de crédito. O modelo de gestão valoriza a participação dos associados, os donos, que definem os rumos da cooperativa nas assembleias gerais. Nestas, cada cooperado representa hum voto e participa dos resultados de forma proporcional ao movimento efetuado. Cada cooperativa desenvolve as soluções de acordo com as necessidades apontadas pelos associados. Os ativos são usados para financiar os próprios associados, o que mantém os recursos na região onde foram gerados. As menores taxas de juros cobradas e as sobras distribuídas mantém mais dinheiro no bolso dos associados, viabilizando mais rápido crescimento econômico. Na Cooperativa Pioneira os associados decidiram distribuir 1% das sobras para entidades que atuam em desenvolvimento social das comunidades, conforme projetos que estas apresentam ao comitê gestor da cooperativa.

Ao conhecer a primeira cooperativa de crédito do Brasil entendi perfeitamente como estes diferenciais explicam a enorme importância das cooperativas no desenvolvimento local e regional.

Também verifiquei que a maioria das cooperativas oferecem os produtos e serviços como qualquer outro banco privado ou público e não são mais apenas agentes financeiros rurais. Por exemplo, 89% dos associados do SICREDI são pessoas físicas (69% do meio urbano e 20% do meio rural) e 11% são pessoas jurídicas.

Pelo exposto não tenho dúvidas em responder afirmativamente a pergunta formulada no início. O desafio é enorme, mas o cooperativismo de crédito e o SICREDI em particular estão se preparando e desenvolvendo as condições em todas as áreas para atingir a meta proposta em poucos anos.

Em 12 de outubro de 2016