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Balanços de oferta e demanda mundial da soja, milho e trigo indicam a redução dos preços na safra 2016/17

(Foto: Pedro Revillion/Palácio Piratini) - Balanços indicam redução dos preços na safra 2016/17
(Foto: Pedro Revillion/Palácio Piratini)

O balanço de oferta e demanda mundial das três commodities, divulgado pelo USDA neste mês, sinaliza queda dos preços recebidos pelos produtores na comercialização da safra 2016/17.

A produção mundial de trigo aumenta 1,2%, para 743,4 milhões de toneladas, e fica acima do consumo interno dos países de 732,5 milhões de toneladas, o que provoca o aumento de 4,5% no estoque final de passagem, para 252,8 milhões de toneladas. Como consequência, o USDA estima que os preços médios aos produtores devam oscilar entre U$ 3,4 a 4,1/bushel em 2017, contra a média de U$ 4,89 no ano safra 2015/16 e U$ 5,09 em  2014/15.

A produção mundial de milho aumenta 7,2%, para 1,028 bilhão de toneladas e também fica acima do consumo interno dos países estimado em 1,017 bilhão de toneladas. Assim, o estoque final aumenta 5,5%, para 220,8 milhões de toneladas. Os preços médios aos produtores, que foram de U$ 3,70/bushel na safra 2014/15 e U$ 3,55 a 3,65 na safra 2015/16 tenderão a ficar entre U$ 2,90 a 3,50/bushel na comercialização da safra 2016/17.

A produção mundial de soja aumenta 5,7%, para 330,4 milhões de toneladas, mas fica praticamente equivalente ao consumo interno de 329,8 milhões de toneladas. A soma da produção e da importação fica levemente abaixo do consumo e da exportação, o que provoca a redução de 2,5% no estoque final, para 71,2 milhões de toneladas. Por esta razão os preços médios aos produtores, de U$ 10,10/bushel em 2014/15 e U$ 8,95 em 2015/16, permanecem no intervalo de U$ 8,4 a 9,9/bushel em 2016/17.

Os Estados Unidos, os maiores produtores mundiais de soja e milho, estão indicando recorde de produção das duas mercadorias, em função das boas condições de clima até o presente momento, quando as lavouras de milho entraram na fase de espigamento e as de soja na de florescimento. Os produtores sul americanos começam a colher o trigo em setembro e na sequência plantarão as lavouras de soja e milho.

Os preços recebidos pelos produtores brasileiros dependem das cotações internacionais e do comportamento da taxa de câmbio, ou o preço do dólar no Brasil. E este apresenta tendência de queda. No início do ano chegou a R$ 4,20 e atualmente o preço está oscilando entre R$ 3,12 a R$ 3,25 e pode ficar abaixo de R$ 3,00 caso se confirme a manutenção do atual Presidente em exercício. 

Os números divulgados evidenciam que, se não ocorrerem quebras na produção por problemas climáticos, as margens de renda dos produtores tenderão a ficar menores durante o ano comercial de 2017, tanto por queda das cotações do milho e do trigo quanto por redução da taxa de câmbio no Brasil.