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Colhendo e vendendo soja e milho

O Paraná está colhendo a safra 2015/16 de soja e milho, além das demais lavouras cultivadas no verão.

A produção de soja está estimada em 17,6 milhões de toneladas, das quais 55% já foram colhidas. A produção da primeira safra de milho está estimada em 3,5 milhões de toneladas, 45% também já colhidas.

O balanço de oferta e demanda brasileiro da soja, neste ano comercial de 2016, segundo a CONAB, aponta a produção de 100,9 milhões de toneladas, das quais 44,1 milhões serão esmagadas internamente e 56,8 milhões de toneladas serão exportadas.

O balanço de oferta e demanda do milho sinaliza a produção de 83,3 milhões de toneladas, das quais 28,3 na safra e 55,0 milhões de toneladas na segunda safra. Em função do baixo estoque neste início de ano comercial (1º de fevereiro), em torno de 4,5 milhões de toneladas, os preços do produto em Paranaguá chegaram a R$ 46,00 a saca, o que estimulou o aumento da área plantada na segunda safra no Paraná e no Brasil. Por esta razão, a produção da segunda safra poderá atingir 60 milhões de toneladas, em condições normais de clima. O consumo interno está estimado em 58,4 milhões e a exportação em 30 milhões de toneladas. Estes dados revelam que a produção brasileira será absorvida pela demanda total (consumo interno + exportação) e o mercado do momento indica para setembro o preço de R$ 34,00 a R$ 35,00 a saca em Paranaguá. Este preço resulta da cotação internacional do produto mais o prêmio, multiplicado pela taxa de câmbio.

Especificamente no Paraná, em 2016, o consumo interno do milho está estimado em 11,5 milhões de toneladas e a exportação para outros estados e para o exterior em 6,6 milhões de toneladas, também absorvendo toda a produção estimada.

O balanço de oferta e demanda mundial da soja, para 2015/16, segundo o USDA, aponta a produção de 320,5 e o estoque final de 80,4 milhões de toneladas, números 0,5% e 4,3% superiores aqueles verificados no ano comercial anterior. E os produtores americanos de soja, em 2016/17, deverão repetir a área cultivada em 2015/16.

O balanço mundial 2015/16 do milho evidencia a produção de 970,1 milhões de toneladas, 3,9% inferior a anterior, e o estoque final de 208,8 milhões de toneladas, 1% superior ao do ano comercial 2015. E os produtores americanos deverão aumentar a área cultivada do cereal em 2,0% a 2,5% em 2016/17.

A maior folga nos balanços das duas commodities mantém as cotações internacionais em 2016 com tendência de queda, comparativamente as médias verificadas nos anos anteriores. Na soja, os preços na CBOT estão oscilando entre U$ 9,2 a 8,5/bushel, comparativamente as médias de U$ 12,08 em 2014 e U$ 9,41 em 2015. Em Paranaguá, o preço que já chegou a R$ 86,00 a saca, atualmente oscila em torno de R$ 74,00 a saca e resulta da cotação internacional + prêmio multiplicado pela taxa de câmbio. No milho, as cotações em 2016 variam entre U$ 3,5 a U$ 3,9/bushel, comparativamente as médias de U$ 4,18 em 2014 e U$ 3,97 em 2015.

O quadro descrito mostra claramente que os preços atuais recebidos pelos produtores do Paraná, da soja entre R$ 70,2 a R$ 66,5 a saca e do milho entre R$ 32,8 a R$ 33,7 a saca, ambos superiores aos custos operacionais de produção, se devem a taxa de câmbio e ao consequente desempenho das exportações, que em 2015 alcançaram 54,3 milhões de toneladas de soja e 34,2 milhões de toneladas de milho.

A taxa de câmbio, neste ano de 2016, deve oscilar entre R$ 3,7 a R$ 4,3, ou seja, em torno do valor considerado de equilíbrio considerando o desempenho do balanço de pagamentos.

Diante do quadro exposto, a venda antecipada das duas mercadorias pelos produtores do Paraná e do Brasil se mostrou a estratégia mais correta. No Paraná, atingem 45% da soja, 30% da primeira safra de milho e 20% da segunda, cujo plantio está em fase final.