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E a política para as lavouras de inverno?

O Paraná é o maior produtor de trigo e cevada do Brasil. No ano de 2015 a produção estadual de cevada foi de 184,8 mil toneladas, registrando decréscimo de 2,1% em relação ao desempenho na safra anterior, e a de trigo foi de 3,358 milhões de toneladas, registrando também decréscimo de 11,5%. Em ambas as culturas, as condições climáticas desfavoráveis, basicamente o excesso de chuva na colheita, comprometeram a produção e a qualidade dos dois cereais. O Brasil, em 2015, produziu 5,5 milhões de toneladas, mas teve que importar mais 5,8 milhões de toneladas para atender ao consumo interno de 10,4 milhões de toneladas.

A época de plantio das culturas de inverno, nas regiões norte e noroeste do estado, inicia neste mês de março e do trigo em 10 de março, bem antes do que nas regiões sul e sudoeste do Paraná e também no Rio Grande do Sul.

Para os produtores planejarem corretamente o que plantar e a efetuarem a compra dos insumos é necessário o conhecimento antecipado de diversas variáveis, como o plano de rotação de culturas seguido na propriedade, os custos de produção, as perspectivas dos preços de mercado e fundamentalmente a política agrícola estabelecida pelo governo.

O governo, através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, solicitou, em outubro de 2015, as entidades de classe do Estado (FAEP, OCEPAR e SEAB) o encaminhamento de uma proposta de política, o que foi efetuado em no final de novembro.

Conforme carta enviada a Ministra Katia Abreu pela Presidência da OCEPAR, em 7 de março, um dos sustentáculos da política agrícola é o preço mínimo, que visa socorrer os agricultores nas épocas de preços baixos. O preço mínimo deveria ser estabelecido levando em conta os custos de produção, que experimentaram altas nos últimos anos. Por exemplo, um agricultor de Londrina, em 2014 gastava R$ 29,63 a saca no custeio da lavoura e em 2015 R$ 35,35, ou seja, um aumento de 19% segundo os levantamentos da CONAB. O preço mínimo, nas mesmas safras, foi reajustando em apenas 4,6%, de R$ 33,44 para R$ 34,97 a saca, sequer cobrindo o desembolso no custeio.

Outro aspecto crítico apontado é o seguro agrícola, que foi objeto de mudanças intempestivas no último ano, principalmente a redução de R$ 741 para R$ 400 milhões no montante de recursos destinados à subvenção ao prêmio de seguro, bem como ao percentual de subvenção, que foi baixado de 70% para 55%.

Agora estamos em março, em plena época de plantio e o documento encaminhado pelas entidades do Estado ao governo federal não teve resposta, porque até agora os produtores não tem o Plano Safra divulgado, o que deveria ter acontecido até fevereiro deste ano. Na falta da política, as variáveis que os produtores estão considerando para decidir o que plantar são: a expectativa do preço futuro do milho (segunda safra), a expectativa do preço futuro do trigo e a taxa de câmbio, que interfere na formação do preço de mercado das duas mercadorias.

A consequência desta situação já foi detectada nos levantamentos iniciais de campo sobre o desempenho das lavouras de inverno no Paraná, em 2016.  Embora os dados ainda não fossem tabulados pelos técnicos, as estimativas iniciais apontam a redução entre a 10% na área plantada de trigo. Isto implica em maior dependência das importações para atender ao consumo interno e em aumento dos preços aos consumidores, porque o trigo importado chega ao mercado interno por preço superior ao praticado na compra do trigo nacional. Um verdadeiro tiro no pé da produção, do emprego, da segurança alimentar e do combate a inflação.

Em 15 de março de 2016