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O desempenho da economia, do setor primário e do agronegócio em 2015

O PIB corresponde a soma do valor de todos os bens e serviços finais produzidos pelos três setores da economia brasileira, o primário (agricultura, pecuária e extração vegetal), o secundário (indústria de transformação, construção civil, extração mineral e distribuição de energia, água e gás, e) e o terciário (os serviços). Nos anos de 2014 e 2015 o setor primário respondeu por 5,2% do PIB, o secundário por 24,0% e 22,7% e o terciário por 70,8% e 72,0% do PIB, segundo o IBGE. O valor do PIB foi de R$ 5,69 trilhões em 2014 e de R$ 5,90 trilhões em 2015.

Em 2014, o aumento do PIB foi de 0,1% e em 2015 a queda foi de 3,8%, a maior desde o início do Plano Real e o pior desempenho entre os países desenvolvidos e emergentes, segundo o FMI.

Em 2014 o setor primário apresentou o melhor desempenho (2,1%), seguido pelo terciário (0,4%). O mesmo ocorreu em 2015, o único com desempenho positivo de 1,8%, contra a queda significativa de 6,2% no secundário e de 2,7% no terciário. Contribuíram para o desempenho do setor primário os significativos aumentos na produção da soja e milho, que compensaram os desempenhos negativos do trigo, café e laranja e o fraco desempenho da pecuária e da extração vegetal.

O PIB ou a renda per capita, ou seja, a parcela do PIB por brasileiro reduziu 0,8% em 2014 e 4,6% em 2015, atingindo R$ 28.876,00, porque os pífios resultados do PIB foram acompanhados pelo crescimento da população nos dois anos.

Para o ano de 2016, os indicadores econômicos evidenciam nova queda do PIB em torno de 3,5% e novo desempenho positivo do setor primário, mas abaixo do crescimento verificado em 2015.

A inflação, ou o aumento generalizado e persistente dos preços, pelo sexto ano seguido supera o centro da meta de 4,5% e pela primeira vez em 2015 também o patamar dos dois dígitos (IPCA de 10,67%) e permanecerá elevada em 2016, mas abaixo de 10%.

O desemprego chegou para 9,1 milhões de pessoas e atingirá os 10 milhões neste ano, apesar do aumento do emprego no setor primário.

Em resumo, a economia brasileira está produzindo menos, os brasileiros estão ganhando menos, o desemprego está aumentando e a inflação está corroendo o poder aquisitivo das pessoas. E o único setor com aumento da produção e do emprego em 2015 é o primário.

A consequência imediata, sob o enfoque da demanda agregada, foi a redução do consumo das famílias de 4,0% em 2015, e nova queda é esperada para 2016. Aqui, novamente o setor primário tem uma vantagem, porque um dos últimos itens a ser cortado é a alimentação, embora já esteja ocorrendo a substituição de marcas e produtos de maior valor agregado por equivalentes mais baratos.

O outro desempenho preocupante é a queda dos investimentos de 4,5% em 2014 e de 14,1% em 2015. Isto evidencia que as empresas estão operando com elevada ociosidade e que o potencial de crescimento da economia ou a capacidade de expansão da produção está reduzindo.

A boa notícia vem das transações internacionais. Devido ao aumento da taxa de câmbio desde 2012, em função dos graves e crescentes desequilíbrios na balança de transações correntes, as exportações de mercadorias e serviços aumentaram em 6,1% em 2015 e as importações reduziram 14,3 %, o que contribuiu para a volta do superavit na balança comercial brasileira (U$ 2,7 bilhões em 2015) e a queda no deficit em transações correntes de U$ 104,2 bilhões em 2014 para U$ 58,9 bilhões em 2015. O superavit na balança comercial brasileira se deve exclusivamente ao superavit de U$75,2 bilhões na balança comercial do agronegócio, como já vem ocorrendo há muitos anos. No final de 2015 a taxa de câmbio atingiu o nível considerado de equilíbrio, estimado entre R$ 3,80 a R$ 4,20, segundo diversas posições de especialistas no assunto.

O agronegócio, que representa a produção de insumos, a produção primária, a transformação das matérias primas agropecuárias e florestais, a distribuição dos produtos nos mercados e os demais serviços de apoio, segundo o CEPEA, gerou o valor de R$ 1,26 trilhão nos 12 meses terminados em novembro de 2015, ou aproximadamente 21,4% do PIB brasileiro. É o maior negócio do Brasil e responsável por 30% dos empregos e por 43,0% e 46,2% do total das exportações brasileiras nos anos de 2014 e 2015.

O agronegócio da agricultura representou 68,3% do total (R$ 860,54 bilhões) e o da pecuária 31,7% (R$ 399,62 bilhões).

Dentro das porteiras, a riqueza gerada pela agropecuária somou R$ 373,95 bilhões. A produção de insumos gerou R$ 149,96 bilhões, a indústria R$ 347,0 bilhões e a distribuição R$ 389,24 bilhões.

No Paraná, segundo o IPARDES, em 2014 o PIB aumentou 0,8%, atingindo R$ 358,5 bilhões. Em 2015 foi de R$ 376,1 bilhões e a queda foi de 2,8%, mas o setor primário apresentou desempenho positivo de 4,4%. A menor queda do PIB do Paraná em relação ao Brasil se explica pela maior participação do setor primário e do agronegócio na economia paranaense, de 10,5% e entre 30,0% a 35%, comparativamente as medias nacionais, segundo o DERALSEAB. No Paraná, o setor primário foi favorecido pelo desempenho da produção de grãos, basicamente soja e milho, de hortaliças e frutas, e pela produção de frango, leite e suínos na pecuária. Também, no Estado, em 2015, o agronegócio foi responsável por 78% das exportações, percentagem significativamente superior a média nacional.

Os dados expostos evidenciam a crucial importância do setor primário e do agronegócio para a economia brasileira e paranaense.