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Plano agrícola e pecuário 2016/2017 e a visita do ministro Blairo Maggi ao Paraná

Neste ano, os preços em reais da soja, milho e do feijão bateram recordes. Também experimentaram significativos aumentos os preços trigo e do arroz e agora, mais recentemente do leite. Esta mesma situação ocorreu em períodos de 2015 ou deste ano com os preços da batata, do tomate, da cebola e de outros hortigranjeiros.

Em praticamente todos os casos esteve presente o ciclo de baixa nos preços acompanhado de redução da produção e a subsequente elevação dos preços de mercado com a recomposição da produção, com duração de tempo variada na dependência de cada produto e das outras variáveis que afetam as forças do mercado dos produtos agropecuários.

É claro que estas outras variáveis também têm grande influência sobre a demanda e a oferta, como o clima, as exportações e importações, a política agropecuária e a econômica, principalmente o trinômio crédito, preços mínimos e seguro agrícola, a pesquisa e assistência técnica, a defesa sanitária, o zoneamento da produção, a disponibilidade de infraestrutura, a burocracia, e tantas outras.

Muitos perguntam se estas variações sazonais e cíclicas de preços podem ser diminuídas e a resposta é sim. Para tanto, uma das condições necessárias é o governo e a iniciativa privada trabalharem em sintonia, no curto e no longo prazo. Em poucas palavras e apenas no curto prazo, o governo ajustando de forma ágil e a cada safra os instrumentos das políticas que conferem sustentação da renda dos produtores, basicamente do crédito de custeio, da Política de Garantia de Preços Mínimos - de sustentação de preços e da formação e comercialização dos estoques, e do seguro agrícola. E os produtores decidindo com base nas expectativas futuras do mercado e cada um sendo mais eficiente e fazendo a sua parte. Os pequenos e médios fundamentalmente diversificando a produção e os grandes mantendo o foco na especialização e na escala. Hoje, muitos decidem o que produzir com base nos preços passados e nas atividades que momentaneamente estão dando lucro, sem olhar a expectativa futura do mercado.

O governo fez os últimos ajustes nos financiamentos de custeio, de comercialização e de investimento do Plano Safra 2016/17, que passou a vigorar a partir do dia 1º de julho. O montante global de recursos de R$ 185 bilhões ficou praticamente equivalente ao plano anterior, as taxas de juros são maiores e os limites de adiantamento de recursos por produtor também. As condições de crédito, dos preços mínimos e do seguro estão dadas. Os mercados do milho, arroz, feijão e da soja indicam uma boa oportunidade de aumento da produção. As condições do clima serão menos favoráveis devido ao La niña, mas o risco pode ser reduzido com o escalonamento do plantio.

O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi estará neste fim de semana em Curitiba, para ouvir as lideranças do agronegócio paranaense e se encontrar com os professores e colegas da UFPR, quando receberá algumas propostas de ajuste da política agrícola. E falará também, de forma aberta e franca, dos problemas enfrentados e das prioridades da pasta para todo o agronegócio, dos pequenos aos grandes produtores.  É o salutar diálogo que deve existir entre o governo e os participantes do setor privado, que só se estabelece e frutifica entre pessoas certas nos lugares certos.

Em 05 de julho de 2016