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Suinocultura e avicultura: custos, renda e medidas adotadas pelo governo

Suinocultura e avicultura: custos, renda e medidas adotadas pelo governo

O Paraná é o primeiro produtor e exportador de carne de frango e o terceiro produtor de carne suína do Brasil.

Estas atividades se desenvolvem basicamente em pequenas e médias propriedades e absorvem significativo contingente de mão de obra.

O criador e vendedor de leitões, considerando a região sudoeste do Estado, atualmente apresenta margem zero ou levemente negativa, porque tem um custo de R$ 5,90/kg e vende o produto também por R$ 5,90/kg.

O produtor terminador, nas integrações, recebe a ração, os medicamentos e a assistência técnica e mais entre R$ 20,00 a R$ 25,00 a cabeça de suíno para cobrir os custos da mão de obra e dos investimentos. As margens se estreitaram significativamente nos últimos meses e muitos têm prejuízo.

O terminador fora das integrações, há vários meses têm prejuízo entre R$ 70,00 a R$ 100,00 a cabeça de suíno. O custo gira em torno de R$ 3,40/kg e o preço de venda entre R$ 2,80 a R$ 2,90/kg, na região sudoeste do Estado.

O produtor de frango está no empate técnico entre custo e receita, considerando o custo de R$ 2,48/kg, também na região sudoeste.

O maior componente do custo do suíno e do frango é a alimentação e dentro deste item o maior peso é representado pelo milho e o farelo de soja. Devido a redução da produção da primeira safra e ao significativo volume das exportações do grão em 2015, 34,2 milhões de toneladas, o preço que o criador paga pelo milho está entre R$ 45,00 a R$ 50,00 a saca. Este preço equivale ao custo do milho importado posto no mercado interno. Por esta razão, empresas estão importando entre 500 mil a 700 mil toneladas do produto da Argentina e do Paraguai, para suprir parte da necessidade de consumo enquanto não entra no mercado o milho da segunda safra.

A tendência, em curto prazo, é a persistência desta situação durante os meses de abril e maio. Em junho, com o início da colheita e entrada no mercado do produto da segunda safra, o preço do milho deverá recuar aos poucos para valores em torno de R$ 35,00 a saca.

As medidas adotadas pelos governos paranaense e federal ajudam, mas não resolvem o problema. O governo do Estado, a exemplo do que foi adotado por Santa Catarina e Rio Grande do Sul, reduziu a alíquota do ICMS de 12% para 6% na comercialização estadual e interestadual de suínos vivos. Esta medida restabelece a competitividade dos suinocultores independentes do Paraná, que estavam perdendo o mercado para os gaúchos e catarinenses, e representam aproximadamente 20% dos produtores que trabalham em escala comercial.

O governo federal, através do Conselho Monetário Nacional, aumentou o crédito para retenção de matrizes de R$ 1,2 milhão para R$ 2,4 milhões, até o final de junho deste ano e com reembolso previsto em 2 anos. Esta media visa a redução do encaminhamento de matrizes para o abate, durante este período de altos preços do milho no mercado interno. Outra medida adotada pelo governo, através da CONAB, foi a colocação no mercado, em leilões semanais, a totalidade do estoque de milho do governo de 1,5 milhão de toneladas, volume insuficiente para afetar as cotações do cereal.