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A culpa e o preconceito

A torcida do Coritiba não tem dúvida: Gilson Kleina é o maior culpado pelos fracassos de 2016. O treinador carrega desde a chegada no Couto Pereira uma das mais pesadas rejeições da história recente do clube. Um conceito concebido ainda no anuncio da contratação em dezembro. No ápice da crise entre técnico e torcida, Kleber fez uma reflexão fundamental. Para o Gladiador (16 gols em 16 jogos na temporada), os jogadores têm mais peso no momento ruim do time. Ele tem razão. 

Gilson Kleina tem 25 jogos no comando do Coritiba: São 56% de aproveitamento (Divulgação Coritiba)Gilson Kleina tem 25 jogos no comando do Coritiba: São 56% de aproveitamento (Divulgação Coritiba) 

Uma das réguas para se medir o trabalho do treinador é o potencial do elenco. Com outro técnico, a atual equipe do Coritiba se transformaria em um super time? Dificilmente! Gilson Kleina tem defeitos e limitações, mas a colaboração dele para o desempenho ruim do time neste ano é menor do que a sua impopularidade faz parecer. A responsabilidade é compartilhada também com os dirigentes, que costumam ficar em segundo plano quando a crise tem como foco de debate um personagem específico, como é o caso do treinador Alviverde. Vale lembrar como foi a operação no momento da contratação de Kleina. O argumento central para a aposta era o fato do treinador ser da cidade. Um argumento raso. 

Coritiba armado o 4-2-3-1 para enfrentar o Peixe Coritiba armado o 4-2-3-1 para enfrentar o Peixe 

A derrota para o Santos é bem simbólica sobre a profundidade do elenco. A bipolaridade do time tem relação direta com peças de reposição oferecidas pelo banco de reservas, fator decisivo também nos Atletibas da final do paranaense. Reflita sobre o desempenho do Coritiba no primeiro tempo deste domingo. Foi ótimo. A organização defensiva ofereceu poucos espaços para o Santos. Duas linhas de quatro compactas e com movimentos bem coordenados impediram que Lucas Lima atuasse onde mais gosta. 

Organização defensiva do Coritiba: Bloco baixo em duas linha de quatro compactas (Reprodução Premiere)Organização defensiva do Coritiba: Bloco baixo em duas linha de quatro compactas (Reprodução Premiere) 

Quando se marca no próprio campo para explorar o erro do rival a transição em velocidade é o caminho mais normal para atacar, não foi o que fez o Coritiba. Sem nenhum velocista em campo, a aposta foi no jogo apoiado de troca de passes. A sociedade formada por Ruy, Gonzalez e Kleber carregava o Coxa até o gol do Santos. Esse comportamento levou o Coxa ao gol e outras boas possibilidades de construir um placar irreversível ainda no primeiro tempo. Um time sem técnico não tem o desempenho que o Coritiba alcançou nos 45 minutos iniciais da Vila Belmiro. Gilson Kleina já errou neste ano (interferiu muito mal no jogo da eliminação contra o Juventude, por exemplo), mas ele entrega perspectivas de melhora da equipe. Isso tem um peso decisivo na definição da continuidade ou não do trabalho de um treinador.

Coritiba trocou 350 passes certos na Vila Belmiro (Reprodução Premiere)Coritiba trocou 350 passes certos na Vila Belmiro (Reprodução Premiere) 

O segundo tempo não mostrou um Coritiba do mesmo nível. E aí a analise passa não só pela qualidade das escolhas do Kleina, mas também pela característica. Saí Ruy entra Thiago Lopes, dois jogadores completamente diferentes que por consequência transformam a característica do time. Ao invés de posse e jogo apoiado, os ataques passam ser construídos com base na velocidade. Não deu certo. Mesmo sem fazer uma grande partida o Santos venceu com um gol no último minuto.

Para terminar o Campeonato Brasileiro no banco de reservas do Coritiba, Gilson Kleina vai precisar muito mais que um bom trabalho. A rejeição do treinador é um ótimo teste para as convicções da atual diretoria Alviverde.