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A lição de Tite para Luxemburgo

Colocar Tite e Luxemburgo no mesmo debate em 2016 pode soar incoerente. Atualmente, os dois são técnicos de níveis diferentes. Um está no auge da carreira e transformou a Seleção Brasileira em time depois de três jogos. O Outro foi demitido de um clube da segunda divisão do futebol chinês e há algum tempo não faz nenhum trabalho que lembre o técnico que conquistou, por exemplo, cinco títulos brasileiros.

Tite durante treino da Seleção Brasileira: Três jogos e três vitórias (Lucas Figueredo/CBF)Tite durante treino da Seleção Brasileira: Três jogos e três vitórias (Lucas Figueredo/CBF) 

O conceito que une os dois técnicos na mesma discussão é a tal atualização, termo banalizado por nós do lado de cá e pelos próprios treinadores. A semana que passou deixou evidente a visão de cada um sobre o futebol que se disputa atualmente. A relação de Tite e Luxemburgo com o conhecimento/estudo tem relação direta com o estágio de cada um neste momento.

Luxa preferiu a negação. Frases como “Guardiola é mais marketing do que técnico” beira a bizarrice e se transforma em um pedido para não ser levado a sério, mas representa mais do que isso. O futebol brasileiro ainda tem espaço para pessoas com esse tipo de visão, Luxemburgo não está sozinho. O sucesso de Guardiola é atribuído a quantidade de craques que ele teve a disposição no Barcelona. Visão preguiçosa sobre o momento de maior impacto na maneira de se jogar futebol nos últimos 10 anos. Tudo que se fez desde então foi uma reação ao que aquele time produziu a partir de 2008.

Tite já era o melhor técnico do Brasil no final de 2012, quando conquistou o título mundial com o Corinthians. A temporada seguinte ficou marcada pelo “Empatite”, apelido dado ao time colecionava empates sem gols. Era um alerta, o Corinthians de Tite havia se tornado previsível. Tite percebeu que o domínio dos conceitos defensivos já não bastava, era necessário adquirir novas ideias para a construção de um novo modelo de jogo. O projeto de estudo do treinador foi cumprido no ano sabático. É incrível perceber como Tite se transformou em um novo técnico, mesmo já consagrado com todos os títulos possíveis para um técnico brasileiro.

O repertório do Corinthians-2015 foi carregado para os três primeiros jogos de Tite na Seleção Brasileira. Destaque para a organização ofensiva baseada no jogo apoiado (triangulações), sempre com opções seguras de passe e a ocupação correta dos espaços para que talento da atual geração seja potencializado.

No país da troca de favores, ver alguém se tornar unanimidade pelo caminho do conhecimento é um alento.