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A Metamorfose atleticana

Ser o time protagonista em jogo de futebol é um papel que poucos times assumem atualmente. A Euro disputada na França escancarou a preferência pelo futebol reativo, e a dificuldade das equipes que montam o seu modelo com a posse de bola como instrumento para desorganizar os rivais. A Organização defensiva é cada vez mais complexa e eficiente no futebol atual.  

O cenário do Campeonato Brasileiro é um espelho dessa realidade. A bola não é a prioridade, a maioria dos times preferem dominar os espaços. O Atlético é um exemplo de “desistência” da iniciativa, para fazer um jogo mais direto, de contra-ataque. Autuori pretendia ter um time proativo na temporada. Dois fatores influenciariam para a mudança na maneira Rubro-negra de atuar: O nível dos adversário e característica dos jogadores disponíveis no elenco. Na primeira fase do ano propor o jogo era uma obrigação, realidade oposta ao do brasileiro.

Escalações iniciais de Atlético x VitóriaEscalações iniciais de Atlético x Vitória 

A consequência imediata é a dificuldade de construir ofensivamente quando se tem pela frente adversários que estão preparados para usar os erros do rival, como foi o Vitória nesta rodada. Lembre-se de outros jogos para encontrar o mesmo padrão contra Santa Cruz, Figueirense (até o primeiro gol) e América-MG. O Atlético tem jogado confortavelmente quando não tem bola, a vitória contra o Santos é simbólica em relação a essa “nova fase” do time atleticano.

A produção de ocasiões de gol a favor do Atlético no primeiro tempo contra o Vitória foi mais um bom exemplo do funcionamento do time de Autuori. Foram pelo menos três chances construídas na transição ofensiva, se aproveitando de um adversário desorganizado pela tentativa de atacar. Dentro deste modelo, até a dupla André Lima e Walter funciona melhor. Nikão (não foi bem neste domingo) é a base do contra-ataque, é o camisa 11 que faz o primeiro pivô e permite que o time saia para o campo de ataque.

Movimentação do Walter contra o Vitória: Pouco jogo pelo central e procura pelo apoio dos laterais (Fonte: Whoscored)Movimentação do Walter contra o Vitória: Pouco jogo pelo central e procura pelo apoio dos laterais (Fonte: Whoscored)

A segunda parte do empate na Arena mostrou dois times sem capacidade de controle pela posse. O jogo se transformou em uma troca golpes (de transições, como disse Autuori) com risco maior para o Atlético, que errou mais na definição dos contra-ataques.

Atlético na sua versão mais pragmática (reprodução Premiere)Atlético na sua versão mais pragmática (reprodução Premiere) 

Atlético tem sido mais perigoso nas transiçõesAtlético tem sido mais perigoso nas transições (reprodução Premiere)

A transformação do Atlético em um time reativo tem relação direta com os ótimos números da defesa. No Brasileiro, o Furacão é mais pragmático, marca com linhas mais recuadas e expõe menos a lentidão dos seus zagueiros. São poucos os times que tem capacidade de ser defender ou controlar um jogo através da posse de bola. O Atlético reconheceu os seus limites e faz ótima campanha, mas jogos como o deste domingo mostram que pode faltar repertório para chegar a Libertadores.