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Alan Santos e a identidade do Coritiba de Pachequinho

Raphael Veiga tenta passar pelos marcadores (Divulgação Coritiba) - Análise da derrota que devolveu o Coritiba para a ZR
Raphael Veiga tenta passar pelos marcadores (Divulgação Coritiba)

A regularidade no futebol tem relação direta com um sólido modelo de jogo. Se a identidade ainda está em construção, a oscilação se transforma em rotina. Esse conceito explica, em parte, a derrota do Coritiba para o Flamengo, em pleno Couto Pereira. Os dois jogos que antecederam o revés deste domingo mostraram a melhor versão do time de Pachequinho. A derrota contra o Galo e a vitória contra o Santa Cruz apontaram um caminho que só pode ser utilizado durante 19 minutos, período que Alan Santos ficou em campo antes de ser substituído pelo Iago, depois de sentir uma lesão.

Formações de Coritiba x Flamengo: Sistemas táticos e propostas espelhadosFormações de Coritiba x Flamengo: Sistemas táticos e propostas espelhados

Mesmo com Alan Santos já estava difícil. Nenhum dos times queria assumir a iniciativa da partida. Coritiba e Flamengo não se incomodavam em tentar controlar o jogo pelo espaço e não pela posse. Os sistemas táticos estavam espelhados no 4-1-4-1 e as ideias também eram semelhantes. Bloco baixo na organização defensiva e dificuldade no momento da construção dos ataques eram características presentes nos dois times. O Coritiba viveu os melhores momentos no primeiro tempo quando conseguia subir as linhas de marcação, em pelo menos duas vezes o Flamengo foi obrigado a se livrar da bola depois de ser acuado pela pressão no campo de ataque exercida pelo Coxa.

A saída do Alan Santos antes dos 20 minutos reforçou um velho defeito do Coritiba nas partidas no Couto: Propor o jogo. A troca de um construtor (Alan) pelo velocista Iago transformou o Coxa em um time mais direto na hora de atacar e sem apoios para desorganizar o bom sistema defensivo do Flamengo através da posse. Com Raphael Veiga centralizado, Iago e Kazim pelos lados, o Coritiba ficou mais previsível e a bola longa voltou a ser o caminho mais comum para tentar criar perigo para o gol defendido por Muralha, sem sucesso. O vídeo abaixo mostra como Raphael Veiga ficou encaixotado entre as linhas de marcação no seu novo posicionamento.

O Flamengo do Zé Ricardo é um time que joga por poucas oportunidades. Hoje a estratégia foi cumprida com perfeição por uma equipe que é mais uma das brasileiras que funciona melhor quando pratica o futebol reativo. Dois contra-ataques foram suficientes para derrubar a invencibilidade do Coritiba no Couto Pereira neste Brasileiro.

A desvantagem no placar escancarou a falta de repertório ofensivo do Coritiba. Foram 35 cruzamentos no segundo tempo, uma estratégia que também foi resultado da mudança de posicionamento de Kazim, que passou a jogar mais próximo de Kleber. Com dois centroavantes alçar a bola na área foi o caminho natural e pouco eficiente. Com saída de Raphael Veiga foi embora também o último armador do time capaz de organizar um ataque sem depender dos cruzamentos desde a intermediaria.


Depois do jogo Pachequinho afirmou que só faltou o gol. Diagnósticos assim são feitos para proteger os jogadores de uma possível exposição. Faltou muito mais do que marcar os gols, a qualidade do jogo apresentado contra o Flamengo não credencia o Coxa para vencer outras partidas. É preciso mostrar que o desempenho contra Atlético Mineiro e Santa Cruz não foi exceção.