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As soluções de Carpegiani e Autuori para os próximos dias

O improviso é uma característica comum aos técnicos do futebol brasileiro. O cenário de incertezas é criado na maioria das vezes por decisões exóticas dos dirigentes que costumam acreditar mais no acaso e menos nos processos. Chegar a um clube no meio da temporada ou perder jogadores durante a construção do modelo de jogo, exige do técnico soluções. Em estágios diferentes, Carpegiani no Coritiba e Autuori no Atlético mostraram na rodada da última rodada o que pretendem para as próximas semanas de Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana.

No caso do Atlético, o desafio de Autuori era montar um time que conseguisse competir com 10 “desfalques” em um dos campos mais difíceis de se jogar na série A. O desempenho Rubro-Negro foi superior a derrota no Horto por 1 a 0. Paulo Autuori mudou o sistema tático, principalmente na fase defensiva. A última linha estava composta com cinco jogadores (três zagueiros e os dois laterais) e meio de campo era composto com quatro jogadores, também em linha, e mais a frente André Lima. Apesar da mudança desenho, os princípios defensivos do modelo de jogo construído por Paulo Autuori estavam lá: Bloco  médio/baixo, compacto, com referência por zona e com pressão no homem da bola. O Atlético foi surpreendentemente organizado, até pelas inúmeras novidades na formação titular. O jogo coletivo impediu que o time sofresse no Horto, apesar da derrota.

Organização defensiva do Atlético contra o Galo (Reprodução Premiere)Organização defensiva do Atlético contra o Galo (Reprodução Premiere) 

Ainda é raro ver no Brasil uma linha com três zagueiros (cinco na prática) com o tipo de organização que o Atlético apresentou no domingo. Por aqui normalmente se escala uma defesa de três para “encaixar” nos dois atacantes do adversário. Autuori apostou no mesmo padrão apresentado pela Costa Rica na Copa do Mundo de 2014 e da Itália durante a Euro deste ano. A Marcação era por zona, onde a referência é o espaço e o local onde está a bola e com cinco na última linha. A movimentação do adversário não desorganiza as linhas defensivas do time.

Atlético com movimentos coordenados para se defender (reprodução Premiere)Atlético com movimentos coordenados para se defender (reprodução Premiere) 

No Coritiba, Carpegiani ainda não perdeu. São três jogos, com duas vitórias de virada contra Ponte Preta e Santos, no Couto Pereira. O grande mérito do treinador, que assumiu recentemente, ainda é a interferência no decorrer do jogo. No segundo tempo das vitórias em casa, Carpegiani fez o diagnóstico correto do que o time precisava e foi cirúrgico nas substituições. Se o gol de Ricardo Oliveira entregava ao Coxa a iniciativa do jogo, era necessário ter força pelos lados do campo e presença na área. Com Evandro no ataque junto com Kléber e Juan na lateral, o Coritiba encontrou o melhor modo para vencer o Santos.

Coritiba do bom segundo tempo contra o Santos (Reprodução Premiere)Coritiba do bom segundo tempo contra o Santos (Reprodução Premiere)

Mas ainda falta o mais importante: a definição da identidade da equipe, o próprio Carpegiani admitiu isso. É um status completamente normal para um trabalho que começou não faz nenhum mês ainda. O próximo passo é definir como time pretende se comportar nos momentos do jogo. Claramente, Carpegiani ainda está conhecendo o tipo de elenco que tem em mãos. Mas se o caminho é seguir seguido é o time que anulou e venceu o Santos no segundo tempo, será necessário criar formas para compensar a ofensividade de Dodô e Juan nas laterais. O Coritiba será um time de posse de bola, que vai priorizar passes curtos para chegar ao gol ou vai preferir marcar no próprio campo para jogar no contra-ataque? Ainda não dá pra saber.

Cada treinador dentro da sua realidade ainda será obrigado a encontrar outras soluções para sobreviver até dezembro. Essa é dura realidade do futebol brasileiro.