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O nível do clássico entre Atlético e Paraná é exceção no Paranaense

Em um campeonato reconhecido pela sua fragilidade técnica, Atlético e Paraná fizeram um jogo bem acima do nível do estadual. São dois times com modelos jogo bem definidos, que trabalharam coletivamente dentro das propostas estabelecidas pelos seus treinadores. Aliás, Paulo Autuori e Claudinei são dois técnicos de gerações diferentes, mas carregam como ideia um jogo atualizado. As identidades opostas de rubro-negros e tricolores produziram a melhor partida do Campeonato Paranaense.

Formações de Atlético e Paraná no clássico: Ideias diferentes nos modelos de jogo

Atlético e Paraná apresentam princípios diferentes em todas as fases do jogo (defesa, ataque e transições). Sem a bola, o Furacão apostou na pressão alta, que impediu que o Paraná saísse jogando. Todas as opções de passe do goleiro Marcos eram marcadas e obrigava o goleiro a dar chutão. A consequência era o domínio da posse de bola e a tentativa clara de propor o jogo. A triangulação do setor direito com Eduardo, Jadson e Nikão sempre foi o melhor caminho para o ataque, o que ficou comprovado com o golaço do camisa 11 ainda na primeira etapa.

O Paraná tinha outra estratégia para marcar. As linhas compactas ficavam posicionadas no próprio campo, à espera da oportunidade de contra-atacar. O grande defeito da atuação paranista estava na falta de inspiração ofensiva. Poucas vezes a transição ofensiva funcionou. O Atlético conseguiu contra-atacar o contra-ataque do Paraná. Isso mesmo. Quando, o time de Claudinei Oliveira tentava sair em velocidade logo era pressionado por jogadores de vermelho e preto. O único espaço encontrado foi em cima de Eduardo, que tem sérios problemas defensivos. Por ali, Robson criou as duas chances que o Paraná teve em 45 minutos, em uma delas, o atacante sofreu pênalti que foi convertido por Lúcio Flávio.

O empate parcial ajudou para a mudança de postura do Paraná. Quando Marcos já era um dos destaques do jogo (melhor em campo), o Tricolor adiantou a marcação e pressionou a saída de bola do Atlético. Mesmo assim, o Rubro-negro seguiu acumulando oportunidades de marcar. Otávio e Jadson eram decisivos na construção ofensiva do Furacão.

O segundo tempo apresentou o período de maior equilíbrio do Dérbi. Claudinei Oliveira fixou Robson do lado esquerdo para duas missões: Parar e atacar o Eduardo. Deu certo. O Paraná teve momentos mais longos de posse de bola, mesmo sem ameaçar o gol de Weverton. Do outro lado, Marcos Guilherme entrou no segundo e ganhou a maioria dos duelos com Nei, o que obrigou o goleiro Marcos a trabalhar mais.

O cenário foi transformado por uma falha individual. Demerson errou o tempo de bola e ofereceu um presente para André Lima, o jogador mais decisivo do Atlético em 2016. Ele é o artilheiro do time (cinco gols) e lidera a lista de jogadores com passe para gol (quatro assistências).

O Paraná tentou ficar mais ofensivo com as entradas de Rafael Carioca. Uchoa virou lateral direito, já Nadson e Valber (decepções do clássico, principalmente o primeiro) mudaram de posicionamento e ficaram mais centralizados. O Atlético se defendeu bem. Duas linhas de quatro próximas que só deixavam a alternativa do cruzamento para o Tricolor. O ataque com Walter e André Lima tirou a velocidade do contra-ataque Atleticano.

A atuação de Marcos fez o Paraná sobreviver ao melhor desempenho do Atlético neste primeiro jogo da semifinal. A partida de volta na Vila Capanema no próximo domingo tem potencial para ser mais uma exceção em um campeonato com tantos problemas técnicos.