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O prazo de validade absurdo e o time de Pachequinho

Um dos grandes dilemas do futebol brasileiro é a quantidade de demissões dos técnicos em períodos curtos. A interrupção do trabalho tem relação direta com o momento da escolha dos treinadores. Os dirigentes do futebol brasileiro são os piores selecionadores do mundo. Um técnico é contratado com base apenas no resultado, quando a discussão central deveria ser sobre as ideias do novo contratado. Esse cenário pobre de conteúdo explica a forma como o Coritiba decidiu que Pachequinho será o “técnico do primeiro turno”.

É inacreditável pensar que o julgamento do trabalho de Pachequinho como treinador virá depois de 14 jogos e raras semanas livres de treinamento. No futebol brasileiro se aposta mais em milagre e menos no trabalho. Nas próximas linhas vamos discutir o que pode acontecer com o Coritiba nas mãos do Pachequinho, mas o grande absurdo da história é estabelecer um prazo de validade de dois meses para que o novo treinador reconstrua uma equipe, pressionada pelos resultados da primeira parte da temporada.

Pachequinho durante treino do Coritiba: Serão 14 jogos de "avaliação" (Divulgação Coritiba)Pachequinho durante treino do Coritiba: Serão 14 jogos de "avaliação" (Divulgação Coritiba) 

Aparentemente escolher Pachequinho tem mais a ver com a necessidade de atender o interesse da torcida. Nada melhor para os dirigentes do que ter um escudo contra o bombardeio das arquibancadas. É a típica decisão que carrega um altíssimo risco, mesmo que o escolhido conheça o elenco e tenha no histórico recente um milagre que evitou o rebaixamento. 

A torcida gosta de Pachequinho como técnico, mas não o conhece direito nesta função. Aliás, quase ninguém conhece. A missão em 2015 foi cumprida com estratégias bem especificas para uma reta final de cinco jogos: Recuperação do ambiente do vestiário, prioridade total a organização defensiva e um ataque capaz de decidir jogos com poucas oportunidades. 

Time base do Pachequinho no milagre de 2015Time base do Pachequinho no milagre de 2015 

Organização Defensiva

A montagem da defesa mostrou que o trabalho de Pachequinho no ano passado transcendeu a motivação. Duas linhas de quatro bem compactas e com boa coordenação dos movimentos. Se defender assim também prova o quanto um elenco compra a ideia do técnico. A proposta era ceder a iniciativa para o adversário e aproveitar as oportunidades cedidas . Nas cinco partidas da reta do brasileiro, o Coxa sempre teve menos a bola que o oponente. A média de posse do Alviverde com Pachequinho foi de 40% de posse contra Corinthians, Goiás, Santos, Palmeiras e Vasco.

Organização defensiva na estreia contra o Corinthians na estreia no ano passado. Desempenho serve de espelho para enfrentar o atual campeão no fim de semana (Instat e reprodução Sportv) Organização defensiva na estreia contra o Corinthians na estreia no ano passado. Desempenho serve de espelho para enfrentar o atual campeão no fim de semana (Instat e reprodução Sportv)  

Solução para Kleber e Henrique Almeida

Foi a grande sacada do Pachequinho. Henrique Almeida saiu do lado do campo e virou o definidor do ataque, jogando próximo de Kleber. O equilíbrio defensivo pelos lados do campo era garantido por Negueba e Juan. O Gladiador era o ponto central no contra-ataque Coxa Branca. O Coritiba desarmava e logo procurava o seu atacante que segurava a bola o tempo suficiente para o time preencher o campo do adversário. Estratégia simples, bem executada e eficiente graças a um Henrique Almeida iluminado e sempre próximo do gol, onde ele foi letal.

Posicionamento decisivo de Kleber e Henrique Almeida na vitória chave contra o Palmeiras (Instat e reprodução Premiere)Posicionamento decisivo de Kleber e Henrique Almeida na vitória chave contra o Palmeiras (Instat e reprodução Premiere) 

E agora?

A espinhal dorsal do ano passado ainda está no Couto Pereira. Wilson, Juninho, João Paulo e Kleber seguiram como titulares absolutos com Gilson Kleina. A escalação até pode ser parecida, mas o desafio atual vai exigir mais repertório. Enfrentar Chapecoenses, Sports, Ponte Pretas em casa vai pedir uma equipe com capacidade de criar espaço através da troca de passes. Ano passado jogar por uma bola era possível pela presença de Kleber e, principalmente, Henrique Almeida. Em 2016, o Gladiador não tem companhia. Na temporada anterior o interino recuperou Negueba e deu as primeiras chances para Thiago Lopes. Fazer algo parecido é algo fundamental para um elenco sem confiança. Além do campo e bola, Pachequinho vai ter que lidar com uma diretoria que coleciona provas enormes de falta de convicção. Por enquanto, o ídolo será um escudo para o fracasso do departamento de futebol Alviverde neste ano.

Não haverá revolução na escalação do Coritiba. Qual será o 11 ideal Pachequinho?Não haverá revolução na escalação do Coritiba. Qual será o 11 ideal Pachequinho?