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O fator Autuori

Paulo Autuori precisou de 13 jogos para levantar o primeiro troféu pelo Atlético. O período curto de 60 dias de trabalho impede que o julgamento leve o treinador para o céu ou ao inferno, mas é indiscutível a influência do técnico na formação do time responsável pelo título paranaense depois de sete anos.

Em dois meses de trabalho, Autuori levou para a prática as ótimas reflexões que sempre fez sobre o futebol jogado aqui no Brasil. O maior desafio era transformar (ainda é) em “jogo” a teoria exibida nas entrevistas. A quebra do triplo tabu neste domingo no Couto Pereira mostrou tem um time em desenvolvimento.  O legado "zero" deixado por Cristóvão Borges só potencializa os méritos do treinador. 

Paulo Autuori no Atlético: 13 jogos para ser campeãoPaulo Autuori no Atlético: 13 jogos para ser campeão (Divulgação Atlético Paranaense)

O Atlético campeão paranaense de 2016 oscilou, jogou mal e quase foi eliminado, mas mostrou ideias claras e isso é o que se espera de uma equipe ainda formação. O comportamento coletivo diferentes fases do jogo (organização ofensiva, defensiva e nas transições) era claro. Na construção dos ataques, jogo apoiado pelas opções de passe desde a defesa, evitando sempre que possível a bola longa. O Atlético sempre tentou ser protagonista dos seus jogos, escolhendo os riscos de atuar a partir domínio da posse de bola e não só do domínio do espaço. O modelo funcionou principalmente nos jogos da Arena. Para quem quer jogar assim, atuar com André Lima e Walter juntos atrapalha.

Formação do Atlético na final: Jadson foi a aposta da vez de AutuoriFormação do Atlético na final: Jadson foi a aposta da vez de Autuori 

Para ter a bola é fundamental pressionar e o campeão estadual fez isso. A pressão alta no campo de ataque gerava espaços nas costas de uma defesa que não tem como principal virtude a velocidade. Um risco que valeu a pena na maioria das partidas. Os movimentos foram coordenados, com os jogadores compondo um conjunto e reagindo as situações de jogo com um pensamento único/coletivo e não aleatório.

Pressão alta do Atlético na semifinal contra o Parana Pressão alta do Atlético na semifinal contra o Parana  

Nas finais com o Coritiba, o Atlético carregou essa organização com uma doze gigantesca de competitividade. O primeiro clássico da final foi definido pela força mental e pela atmosfera criada pelo próprio time.  A vitória do título no Couto Pereira mostrou um Atlético que atacou o Coritiba depois dos 15 minutos obrigatórios de pressão para um time que precisa reverter um 3 a 0.  A escolha de Jadson para o meio de campo foi uma carta de intenções sobre a postura do Furacão na final. O volante foi mais um dos acertos do treinador nos jogos finais, Hernani (na Arena) e Ewandro comprovam a tese. 

Outro traço marcante do trabalho de Paulo Autuori foi a gestão do elenco. O tal rodizio é uma das maiores barreiras conceituais no futebol brasileiro. O técnico do Atlético utilizou a estratégia baseada em dois pilares: O primeiro passo foi não mexer na estrutura do time. É possível rodar o elenco pontualmente sem perder o DNA da equipe. A outra parte fundamental para a execução desse planejamento é ter jogadores de nível parecido para a mesma função.  O elenco do Atlético disponibiliza esse equilíbrio algumas posições (não em todas). 


O 5 a 0 no agregado do Atletiba não indica uma equipe/elenco pronta para a disputa do Campeonato Brasileiro, mas contribui demais para a consolidação das ideias de Paulo Autuori. Um resultado assim convence torcida e o próprio time que é possível seguir com os mesmos princípios do modelo de jogo escolhido pelo técnico. Projetar a campanha atleticana no Brasilerão é difícil, é mais fácil afirmar que tem um time nascendo no CT do Caju.

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Uma derrota em Atletiba sempre deixa sequelas. O Coritiba precisa trata-las, mas é fundamental conservar o legado do trabalho nos primeiros meses do ano. Não está tudo errado no Alto da Glória. Gilson Kleina encontrou ao longo do estadual um “onze ideal”, que foi desmantelado pelas lesões antes das finais com o Atlético. O diagnóstico é simples: o elenco tem problemas e o vice-campeonato deixou claro onde estão as lacunas que precisam ser preenchidas pela diretoria.