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O futebol de emergência do Paraná

A versão atual do Paraná repete em 14 rodadas a pontuação do time que mais deu esperança aos torcedores nestes nove anos de série B. Há três anos, os comandados de Dado Cavalcanti tinham exatamente os mesmos 23 pontos que a equipe de 2016. Os resultados são idênticos, o desempenho é que separa os dois times, pelo menos até agora. Neste ano, o Paraná ainda tem mais pontuação do que futebol.

Escalação do Paraná nas duas vitórias fora de casaEscalação do Paraná nas duas vitórias fora de casa 

O grande mérito do Paraná é conseguir uma arrancada (três vitórias consecutivas) justamente no período que se projetava como o mais complicado. A combinação entre mudança de técnico e departamento lotado aumentava risco de fracasso, ainda mais em um momento de calendário sem períodos mínimos para treinamento.

Depois da estreia com derrota para o Luverdense, Marcelo Martelotte escolheu uma escalação pela sobrevivência, que só justificava pela ausência de titulares absolutos.  O time foi projetado para reagir e chegou a ter dois zagueiros de origem como volantes, uma intenção clara de primeiro destruir e jogar pelas oportunidades concedidas pelos erros do adversário. Na fase defensiva, o Paraná se defende com encaixes individuais (com perseguições curtas), uma maneira menos complexa de marcar, que exige a solução mais individual do que coletiva. Basso tem se destacado na interpretação correta dos movimentos neste tipo de organização de Martelotte. Para atacar a aposta também tem sido mais nas individualidades e menos no jogo elaborado, Murilo Rangel e Robson tem sido os destaques desta fase recente. 

Organização defensiva do Paraná: Encaixes individuais Organização defensiva do Paraná: Encaixes individuais (Reprodução: Premiere)

Fernandes melhorou como volante e faz dupla ofensiva com Rafael Carioca (reprodução: Premiere)Fernandes melhorou como volante e faz dupla ofensiva com Rafael Carioca: Inversão de posicionamento dos dois é constante (reprodução: Premiere) 

O trabalho de Marcelo Martelotte só pode ser julgado pelas intenções, até agora. Ele tem sido mais um selecionador de jogadores do que um técnico “arquiteto”, e nem poderia ser diferente. Foram cinco jogos em quinze dias, o que impossibilita uma interferência do técnico através do treinamento. Dentro das ideias  perceptíveis de Martelotte, uma das principais é a marcação com um bloco mais alto para incomodar a saída de bola dos rivais.

Paraná marca "alto" contra o Bragantino: Intenção do inicio de trabalho do Marcelo MartelotteParaná marca "alto" contra o Bragantino: Intenção do inicio de trabalho do Marcelo Martelotte (reprodução: Premiere)

O resultado costuma ser o único critério de julgamento dos times de futebol. O aproveitamento acima da média é um facilitador para o início de Marcelo Martelotte, mas para concorrer de fato pelo acesso será necessário a montagem de um time de futebol que não jogue apenas para buscar soluções na emergência. As próximas semanas vão responder se isso será possível.