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O massacre Atleticano no Atletiba foi mais emocional do que racional

Quem frequenta estádio de futebol já presenciou a cena: Diante do fraco rendimento do próprio time, a reação imediata do torcedor é gritar raça. Muitas vezes, o diagnóstico da arquibancada não tem relação com a realidade do campo. O Atletiba desse domingo inverteu essa lógica. Não fosse a tal da “raça” é provável que o Atlético não tivesse atropelado o Coritiba. O time do técnico Paulo Autuori foi melhor na parte técnica e na tática também, mas moralmente foi um massacre que se transferiu para o placar que encaminha o título para a baixada. O Atlético se impôs pelo comportamento dos seus jogadores. Clássicos e decisões se vencem assim, na maior parte das vezes. 

Thiago Heleno comemora o primeiro gol do Atlético: zagueiro foi simbolo do comportamento do Atlético no clássicoThiago Heleno comemora o primeiro gol do Atlético: zagueiro foi simbolo do comportamento do Atlético no clássico (Divulgação site oficial Atlético)

Foi o Atlético mais pragmático e eficiente da temporada. Ao invés da troca de passes para criar espaço na defesa do adversário, o Rubro-negro jogou de maneira direta. A escolha para atacar passou pelos lançamentos longos para Walter e Nikão. A escalação selecionada por Paulo Autuori induziu o time a utilizar essa estratégia. Ao invés do passe com Vinicius e Otávio (desfalques por lesão e suspensão) a escolha foi pela força de Pablo, Deivid e principalmente Hernani.

Autuori mudou a formação o AtletibaAutuori mudou a formação o Atletiba 

Hernani foi responsável pela mudança de posicionamento do meio de campo do Atlético. Deivid jogou mais recuado, com Hernani pela esquerda e Pablo pela direita. Se a formação dificultava a construção do jogo apoiado desde a defesa, o trio foi um dos pilares do nível competitivo mostrado pelo Atlético.

Atlético com força física no meio de campo: Deivid mais recuado, Pablo e Hernani liberados para atacar. Atlético com força física no meio de campo: Deivid mais recuado, Pablo e Hernani liberados para atacar.  

O lado mais forte do time também mudou. Pela esquerda, o Atlético criou as melhores chances. O Coritiba não conseguiu marcar Evandro, Sidcley e Hernani. Várias jogadas com superioridade numérica pelo setor que obrigavam o goleiro Elisson a trabalhar. No Atletiba dos desfalques, a ausência mais fatal foi do Ceará. Reginaldo foi o caminho preferido do Atlético para chegar ao gol.


O Coritiba apostou na mesma estratégia vencedora do Atletiba da primeira fase. Bloco defensivo baixo, para forçar os erros do Atlético, que até aconteceram, mas foram mal aproveitados pelo inexistente ataque Alviverde. Culpa mais da execução e menos da escolha da estratégia. Na teoria, os jogadores escolhidos por Gilson Kleina precisavam de espaço para o contra-ataque e para jogar em velocidade a marcação mais recuada fazia sentido. Não deu certo.


Paulo Autuori não pertence ao grupo de técnicos que carrega o carimbo de motivador e sempre demostra frieza em suas reações, seja na vitória ou na derrota. Mas é inegável que a grande vitória do Atlético nos últimos anos foi mais coração e menos da razão.