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Os desafios de Carpegiani

Na estreia de Carpegiani, o Coritiba teve mais resultado do que desempenho. A diferença por 3 a 1 no placar foi bem maior em relação ao que o jogo mostrou. Valeu mais pela saída da zona de rebaixamento e a recuperação de Juan, peça chave do elenco Coxa-Branca. A influência do treinador no triunfo Alviverde passou mais pelas alterações e menos pelo modelo de jogo, natural para quem comandou um treino de menos de 30 minutos. A partida contra a Ponte Preta reforçou alguns desafios que o treinador terá no segundo turno do Campeonato Brasileiro. 

Formações Coritiba x PonteFormações Coritiba x Ponte 

O obstáculo mais gritante é tornar o Coritiba um time capaz de fazer um jogo mais elaborado, baseado na troca de passes como caminho para chegar ao gol do adversário. Hoje o que se vê é exatamente o contrário. O Coxa pratica um jogo que, como regra, tem pouco gosto pela bola – é o 16º no ranking de posse com 47% de média por partida -  e dá preferência para as construções diretas para Kleber e Kazim sem a elaboração do meio campo. Esse foi cenário do primeiro tempo contra a Ponte Preta. A saída da bola dos pés dos zagueiros para a dupla de ataque era resultado da falta de mobilidade dos extremos (Iago e Raphael Veiga) e da característica vertical dos homens mais ofensivos. O Coritiba brigava muito e jogava pouco. Em geral, essa foi a marca dos treze jogos com Pachequinho no banco de reservas, com exceção aos jogos contra Santa Cruz e Atlético Mineiro. 

Velho problema Alviverde: Opção pelo jogo direto, sem passar pelo meio de campo (Reprodução: Premiere)Velho problema Alviverde: Opção pelo jogo direto, sem passar pelo meio de campo (Reprodução: Premiere) 

A vitória contra a Ponte Preta também mostrou que o Juan pode ser o melhor elo entre defesa e ataque. O camisa 55 tem a capacidade aproximar o time através do passe, qualidade rara no elenco Alviverde. A conexão dele com o Kléber (melhor jogador do Coritiba na temporada) é um bom início para melhorar a produção ofensiva da equipe.

Carpegiani costuma montar times sólidos na defesa e com vocação para o contra-ataque. Essa parece ser a identidade mais possível para um elenco com tanta dificuldade para dominar os adversários através da posse. A transição ofensiva da equipe sempre sofreu com a irregularidade dos jogadores de velocidade do elenco. Neto Berola fez duas partidas e a sua carreira não o recomenda como solução, mesmo que diante da Ponte ele tenha sido um dos melhores em campo. Para apostar neste modelo é fundamental encontrar um jogador confiável para carregar o time nas transições, o outro desafio é encaixar a dupla Kazim-Kleber nesta identidade que exige velocidade.

Juan melhora a qualidade do meio campo do Coritiba (Reprodução: Premiere)Juan melhora a qualidade do meio campo do Coritiba (Reprodução: Premiere)

O jogo com base no contra-ataque exige defesa sólida também, o que não tem sido uma característica do Coritiba neste brasileiro, apesar do período de quatro sem sofrer gols com Pachequinho. A preocupação com a fragilidade dos laterais é clara e justa. Sem Carlinhos, Carpegiani escalou Juninho na lateral. Não vale a pena, o time precisa ser forte defensivamente pela organização coletiva e não pelos nomes.

A missão não é das mais fáceis, além de construir uma identidade para a equipe, Carpegiani precisa de resultados imediatos para se distanciar da zona de rebaixamento. Apesar disso, o caminho mais fácil para se vencer no futebol é jogar bem e para isso o jogo coletivo é fundamental.