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Paulo Autuori nos deu a chance para um bom debate

Uma cena rara chamou a atenção na vitória do Atlético contra o Santa Cruz. Não, não estou falando do gol de Deivid, o sexto na temporada. O momento fora do comum aconteceu na entrevista do Paulo Autuori: Para explicar os problemas criativos do ataque do Furacão, o treinador falou sobre a organização defensiva do Santa Cruz e as referencias da marcação do time de Milton Mendes. Deveria ser mais comum ver um técnico levando esse tipo de reflexão. Mas como não é normal, vamos aproveitar para falar sobre o tema.


Paulo Autuori falou sobre os tipos mais comuns de marcação. O modelo defensivo do Santa Cruz é exceção em gramados brasileiros. Milton Mendes organiza o seu time para marcar por zona, a referência para os jogadores é o espaço. A estrutura das linhas de marcação não se desmancha de acordo com o adversário, a movimentação é sempre coletiva e não individualizada. O deslocamento de um jogador sempre é acompanhado por ações conjuntas do time e sempre leva consideração a posição da bola. No vídeo abaixo, você verá um exemplo desse tipo de marcação. Apesar da mobilidade do ataque do Atlético, o posicionamento da defesa do Santa Cruz é mantido. Nikão sai da ponta e vai pro meio e o lateral Thiago Costa mantém o posicionamento, ou seja, a porta continua fechada.


São grandes os benefícios para a equipe que escolhe marcar por zona. Nas equipes que controlam o espaço, a estrutura defensiva não se desmancha com as movimentações do rival. Uma derrota em um duelo individual é compensada pelas linhas de cobertura. A transição ofensiva também é facilitada. Quando a bola é recuperada, os jogadores do seu time estão condições mais favoráveis para o contra ataque. O Santa Cruz parou o Atlético jogando coletivamente.

Encaixe individual

A antiga marcação individual não existe mais. Até meados dos anos 2000 era comum ver os marcadores colados nos seus alvos pré estabelecidos em qualquer parte do campo. O que acontece agora são os chamados encaixes individuais por setor. É o que os portugueses chamam de “jogo de pares”, como lembra Eduardo Cecconi, analista de desempenho do Grêmio, em seu blog. O marcador define o seu “par” na jogada e o acompanha até que ela termine. Note que a referência é o jogador adversário e não o espaço. O Inter de Argeu defende-se assim. No vídeo abaixo, os volantes do Atlético são acompanhados por Sasha e Andrigo, meias do Colorado. O movimento de infiltração do Deivid é acompanhado por Andrigo até a definição do lance. Exemplo clássico do futebol reativo, sempre dependente do que o oponente propõe.

A estrutura da defesa é sempre modificada pela mobilidade do ataque adversário e o próprio contra ataque é prejudicado, já que o posicionamento dos atacantes é influenciado pelo modelo de marcação.


Discussões com essa profundidade proposta pelo Autuori pode fazer o futebol brasileiro evoluir. O nosso jogo anda meio de lado.

Créditos: Imagens Wyscout e Rede Massa