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Por que Fernando Diniz não deu certo no Paraná?

Fernando Diniz é a maior sensação da primeira parte da temporada brasileira. O mentor do Audax, finalista do Campeonato Paulista, passou pelos olhos paranaenses em 2015. Foram 17 jogos no comando do Paraná na série B e o atual sucesso impõe uma pergunta: Por que Fernando Diniz não deu certo no Paraná?

A explicação está mais nas relações humanas e menos na parte técnica. Uma das principais atribuições de um treinador é a habilidade para se relacionar e convencer os seus jogadores. E neste aspecto, Diniz falhou na Vila Capanema. Psicólogo de formação, o técnico tem métodos bem particulares para comandar o vestiário. A exigência é máxima e a linguagem na cobrança com os jogadores passa longe de ser sutil. No Paraná, o vestiário já não pertencia à Diniz quando a diretoria resolveu “ficar” com o elenco na queda de braço com o treinador.

TIme base do Parana com Fernando Diniz: Laterais davam amplitude ao time. Saída era feita pelo tripé formado Fernandes, Ricardinho e Rafael Costa 

Um exemplo explica bem por que esse problema não acontece no Audax. Fernando Diniz discutiu com Rodrigo Andrade, até então artilheiro do clube no Paulistão. O jogador foi dispensado pela diretoria do clube. Sem grande repercussão, os dirigentes do clube empresa escolheram o técnico na “dividida” com o destaque da equipe. No Paraná ou em outro clube com a mínima cobrança popular o artilheiro venceria o duelo. Depois de ser demitido, Rodrigo Andrade deu a seguinte declaração ao Portal da Band. "Tem certas coisas que eu não aceito, como a forma que o Diniz trata os jogadores. Preferi sair antes de perder a razão. Teve uma discussão, sim”. Frases como essa também foram ouvidas nos corredores da Vila Capanema durante a passagem de Diniz. A flexibilidade no tom das cobranças pode fazer o jovem técnico mudar de patamar, é inegável que os times dele são daqueles que fazem a gente parar para assistir.

Audax finalista do Paulistão: Muito troca de passes e mobilidade  

No país do chutão, o Audax é um oásis. Jogo coletivo com uma identidade clara, que constrói os seus ataques a partir da troca de passes com intenção clara de mexer nas linhas defensivas do adversário. Quando algum jogador do Audax está com a bola, ele tem pelo menos duas opções seguras de passe. É o time do Brasil que mais gosta da bola. O Audax é protagonista em campo e não importa o adversário, basta lembrar como o time de Osasco desafiou o Corinthians em Itaquera. E o mais impressionante é que o modelo de jogo adotado pouco combina com o orçamento do clube. Pelo custo da sua equipe, seria bem aceitável se a estratégia fosse buscar uma única bola para vencer jogos. Diniz fez o caminho mais difícil e mais brilhante.

Camacho é grande armador do Audax. Jogo apoiado para atacar (Reprodução Premiere)Camacho é grande armador do Audax. Jogo apoiado para atacar (Reprodução Premiere) 

Audax propôs o jogo contra o Corinthians: Sete jogadores no campo de ataque pressionando a saída de bola (Reprodução Premiere)Audax propôs o jogo contra o Corinthians: Sete jogadores no campo de ataque pressionando a saída de bola (Reprodução Premiere) 

Diniz transformou Camacho (alguém lembra dele no Paraná) no melhor passador do Paulistão. O Ytalo (alguém quer lembrar dele?) é o seu atacante mais decisivo. Esqueça os nomes e pense nos princípios que norteiam a equipe. Inclusive, quando não tem a bola. O Audax evoluiu defensivamente em 2016, a última linha com cinco jogadores diminuiu os riscos e equilibra o que parece uma loucura.

Audax se defende com cinco jogadores na primeira linha, três zagueiros e mais dois lateraisAudax se defende com cinco jogadores na primeira linha, três zagueiros e mais dois laterais (Reprodução Premiere)

Transição defensiva do Audax: Tentativa de recuperar a bola imediatamente Transição defensiva do Audax: Tentativa de recuperar a bola imediatamente (Reprodução Premiere)

A era Fernando Diniz no Paraná centralizou todo o debate no comportamento do treinador no vestiário ou à beira do gramado. Uma pena! O Audax tá mostrando que as conversas poderiam ter sido bem mais agradáveis.