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Ter uma ideia de jogo faz a diferença. O Atletiba foi um bom exemplo.

A grosso modo pode-se dizer que existem duas maneiras de você controlar um jogo de futebol: Com a posse de bola ou com o domínio do espaço. O Atlético da melhor defesa do Campeonato Brasileiro é um time que prefere a segunda opção. A vitória no Atletiba mostrou a versão mais sólida do time do técnico Paulo Autuori, que sente confortável para dominar o jogo sem ter a posse.

Autuori e Carpegiani: Trabalho em estágios diferentes Autuori e Carpegiani: Trabalho em estágios diferentes  

A base do trabalho de qualquer treinador é a ideia que ele deseja que o seu time execute em campo.  O modelo escolhido é o princípio de tudo, é onde os jogadores buscam as referências para tomar as decisões corretas. No caso do Atlético o que faz diferença para a melhor campanha como mandante é ter uma ideia definida para jogar e não a grama sintética. O Rubro-Negro tem um modelo de jogo em que o fio condutor é a defesa, foi a organização sem a bola que permitiu que Weverton não fosse exigido contra o Coritiba.

Organização defensiva do Atlético: Base da ideia de jogo de Autuori (Reprodução Premiere)Organização defensiva do Atlético: Base da ideia de jogo de Autuori (Reprodução Premiere) 

Atlético pressionou com bloco alto no segundo tempo: É possível atacar sem a bola (Reprodução Premiere)Atlético pressionou com bloco alto no segundo tempo: É possível atacar sem a bola (Reprodução Premiere) 

A consolidação do tipo de jogo praticado é a maior diferença entre Coritiba e Atlético. Carpegiani encontrou soluções que empurraram o time para fora da zona de rebaixamento e para uma classificação inédita para as quartas de final da Copa Sul-Americana. Mas, o DNA do Alviverde ainda não é claro. As intenções do jogo do Coxa ainda não sofrem crise de identidade. Seria o Coritiba uma equipe formada para contra-atacar, com homens de velocidade pelo lado do campo? Ainda não dá para saber. As dúvidas aumentam a dependência da bola para levar perigo para os rivais. O repertório ainda é curto. Cenário previsível para um trabalho de apenas 17 jogos (Autuori completou 50 partidas no Atletiba) e para um elenco que sofreu com a lesão de jogadores chave em momentos diferentes. 

Carpegiani mudou a estrutura para atacar o Atlético: Dois laterais no ataque (Reprodução Premiere)Carpegiani mudou a estrutura para atacar o Atlético: Dois laterais no ataque (Reprodução Premiere) 

Alguns princípios já estão claros para Carpegiani. Na primeira linha defensiva, um dos laterais sempre será um zagueiro. Walisson Maia e Juninho já exerceram a função. A estratégia aumenta a estatura para a bola parada e protege o lateral mais ofensivo.

O craque do time é Raphael Veiga, mas o time se molda em torno de Juan. O camisa 55 tem carta branca para atacar. O tipo de proposta do adversário muda o posicionamento do jogador, que já foi meia, ala, volante ou lateral. Foi nessa função que rendeu mais. Sendo uma espécie de armador a partir do lado esquerdo, a lesão de Alan Santos tirou Juan do setor onde ele foi mais produtivo.  

No clássico, a combinação entre a organização defensiva do Atlético e a dificuldade para o Coritiba propor o jogo ficou representada no placar. A diferença entre os rivais na classificação tem relação direta com o desenvolvimento de uma ideia para jogar.