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Apito, amigo!

- Apito, amigo!

Digitei “erros de arbitragem” no Google e apareceram 573.000 resultados. As 12 primeiras páginas são deste ano. Quem quer que seja você, seja qual for seu time do coração, já reclamou da arbitragem. Desde que o futebol inventou o árbitro, existe o erro. Por melhor que seja a tecnologia dos replays, o árbitro vai errar. Ele não vê o replay e muitas vezes está sozinho, ou mal acompanhado pelos auxiliares. A conversa de amigos, o papo que o juiz roubou para o rival, para o time grande, para o time da casa, para o time de fora, para o time do eixo, essa discussão é eterna. Com certeza todos os torcedores de todas as categorias reclamaram de um erro gravíssimo de arbitragem neste ano. Até os corintianos reclamam, acredite! (tá bom, essa foi uma brincadeirinha). Cuca, técnico do Palmeiras, falou esta semana que está difícil apitar com as câmeras e os replays de hoje em dia, se compadeceu com o árbitro Sandro Meira Ricci sobre a ação movida junto ao STJD, por “influências externas” na decisão de um impedimento que anulou um gol de empate do Henrique, jogador do Fluminense. Se o Fluminense recuperar o gol e marcar um pontinho, o STJD vai receber uma enxurrada de pedidos de abertura de inquéritos. De acordo com o “matemático” Mauro Mueller, são 99% as chances deste processo não dar em nada.

Gosto do Cuca, mas avisem o meu conterrâneo que eu não nasci ontem. Se ele estivesse em segundo lugar e tivesse perdido 3 pontos, será que ele iria elogiar o Sandro? E se ele fosse técnico do Fluminense? Cuca não é juvenil de criticar a arbitragem faltando sete rodadas para o seu time levantar o caneco. Replay, Tira-Teima, câmeras na linha do impedimento, toda esta tecnologia existe há vários anos. Não é de hoje que árbitros brasileiros cometem os erros mais variados. Só está aumentando o volume de erros e a quantidade de árbitros mal preparados. Assim como aumenta a quantidade de cantores desafinados que usam a tecnologia para afinar a voz na canção. Não é de hoje que o torcedores, jogadores e dirigentes reclamam. Não é somente contra o seu time. Quando o árbitro erra a favor do seu time você diz: “Pelo menos uma pro nosso lado. Normalmente ele mete a mão”.

Se realmente os árbitros estão incomodados com os vários replays, com a tecnologia das câmeras na linha de impedimento, está mais que na hora de elaborar um projeto real para a evolução da arbitragem. Só para citar o vôlei criou o “desafio”. O árbitro de cima (tem mais um embaixo e os 4 fiscais de linha e para ver se a bola raspou no bloqueio) paralisa o jogo e a arbitragem usa a tecnologia para decidir o lance. Um técnico tem direito a 2 desafios por set e são somente 8 lances das regras que podem ser desafiados.  Isso sem contar as outras evoluções do vôlei que tornaram o jogo mais veloz, com menos tempo, agilizou as arbitragens, dinamizou as substituições, alongou a área do saque, que ainda pode tocar na rede e a mais legal de todas, a criação do líbero. Tudo isso popularizou ainda mais o vôlei. Porque então somente no futebol o onipotente juiz deve ter o supremo poder de trabalhar sozinho em um espaço de 90x120m, atendendo 22 jogadores chorões e 2 técnicos que berram com o juiz o jogo inteiro e depois os torcedores vão ver 3 vezes o replay para reclamar? A maioria que reclama viu pelo menos uma vez o replay para ter a certeza que o árbitro é ruim. Ao que parece, a comissão de arbitragem da FIFA está satisfeita com as conversas de bar. Perguntem a mãe do seu juiz. Elas nunca foram tão xingadas quanto ultimamente no Brasil.  De mais a mais, o Henrique estava mesmo impedido. Eu vi 3 vezes para ter certeza que o juiz errou feio... Ok, é a última brincadeirinha!