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Autuori berra na neblina

O jogo entre a Chapecoense e o Atlético PR estava no começo do segundo tempo e aos 60 segundos o árbitro decidiu parar, porque ninguém conseguia ver nada, por causa da neblina forte que baixou na Arena Condá. O árbitro Francisco Carlos Nascimento chamou os goleiros, depois os técnicos e foi decidido que o jogo não podia continuar.

O que me chamou a atenção foi o comentário do técnico Paulo Autuori, que culpou as "forças" que remarcaram a partida para às 15h e não para às 11h como também se discutia. Autuori reclamou do curto espaço de tempo após o jogo, para a recuperação e a viagem, visando a próxima partida. Nitidamente percebi que seu comentário não era contra a natureza, contra a neblina, mas contra esta decisão das 15h, direcionado a quem comanda os horários de transmissão do jogo, no caso do Pay Per View.

Paulo Autuori tem este discurso coerente contra o calendário e a única vitória do Bom Senso FC que a gente possa dizer que foi importante, foram 30 dias de férias para os jogadores em dezembro e pré-temporada em janeiro. No mais, os mesmos problemas de grande número de partidas, intervalos curtos, competições em cima de competições, desorganização e as suspeitas de corrupção da CBF dão razão aos discursos do técnico atleticano.

Mas, logo vão descobrir que ele está falando demais, logo alguém grande vai tentar calar o técnico e se por acaso os resultados do time em campo forem inferiores ao que o torcedor quer, Paulo Autuori será demitido e um nome lembrado como o cara que tentou, berrou, nadou e morreu na praia... ou melhor, na neblina... nesta fechada neblina do futebol brasileiro, como tantos outros bons técnicos que tentam mudar o modo de pensar do futebol e desaparecem na escuridão.