22°
Máx
16°
Min

Com a palavra, o antropólogo Autuori

“É impossível analisar futebol sem a vertente social e antropológica, porque a antropologia salva-guarda isso... A vida é feita de sim e de não, de derrotas e vitórias... Se não querem que a equipe ganhe, avisem ao técnico e ele não põe o time em campo”.

O técnico Paulo Autuori é inteligente (até demais para o futebol que às vezes volta a ser o esporte bretão) e está em momento conturbado, quando reclama da reação de parte da torcida. Segundo ele, em alguns momentos cruciais torce contra alguns jogadores. Este comportamento cultural do futebol e especialmente do futebol brazuca, deixa alguns inteligentes muito chateados e cheios de razão. O “cara” batalha, estuda, treina, se prepara, aguenta alguns maus dirigentes e alguns maus empresários o tempo todo fazendo a gestão do jogo. O torcedor não acompanha as dificuldades do dia a dia de um técnico em manter o nível de atuação de um jogador que tem problemas profissionais, problemas de contrato, problemas de ordem disciplinar, ou de falta de um bom relacionamento com os demais companheiros, que sai do time no meio de uma campanha, seja pela pressão de um empresário, seja pela falta de comprometimento ou mesmo a falta de inteligência em administrar sua própria carreira (sim, falei do Walter). O técnico inteligente fica realmente chateado quando a torcida, entendendo somente de seu clube do coração, passional, sem entender de futebol e sem entender todos estes problemas, vai ao estádio para torcer contra alguns jogadores no meio do jogo, ou com o oportunismo de criticar somente os momentos ruins. Quando os bons momentos acontecem, onde estão estes críticos para o elogio e reconhecimento? Muitas vezes não aparecem.

No dicionário, Antropologia é o estudo sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante, ou seja, abrangendo todas as suas dimensões. E o futebol é uma paixão da maioria dos brasileiros e a cultura do povo ainda passa pelos campos. E nos campos de futebol algumas vezes o ser brasileiro descarrega suas alegrias e frustrações pessoais, a situação política do país e a marcação com seu desafeto em campo, tudo entra na arquibancada. Imagine então quando um time está em má fase? E o Atlético figura como um real candidato a entrar na Libertadores do ano que vem. Não somente concordando com cada palavra que Paulo Autuori diz na coletiva de ontem, ainda afirmo que o futebol brasileiro está ficando chato, quando alguns poucos agitadores torcedores pagam ingresso, pagam o plano de sócio e se auto-intitulam donos da verdade.