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O resto é perfumaria

Foto: Mariana Fontoura - O resto é perfumaria
Foto: Mariana Fontoura

Eu fui a uma escola do ensino fundamental em Curitiba, aceitando um convite de uma professora para conversar com alunos. Respondi a várias perguntas, falei um pouco sobre minhas atividades, meu trabalho na tevê, no rádio, na música e no teatro. Uma criança se levantou, foi ao microfone e perguntou: - Você gosta da olimpíada?

Eu pensei se respondia sobre o que ele estava vendo na televisão. As notícias de montagem da estrutura dos jogos pulverizam uma Olimpíada deturpada.

Então eu respondi a ele: - Eu gosto de uma delas. A Olimpíada em que os políticos colocaram as mãos eu não gosto, porque está tirando o brilho e a beleza do esporte. Eu gosto da Olimpíada de gente como William Giaretton, desconhecido se comparado ao Neymar. William é um atleta do Remo brasileiro, que começou a praticar o esporte em projetos sociais e hoje vai representar o Brasil em uma Olimpíada. Atleta, que no evento teste na lagoa Rodrigo de Freitas tinha seus salários atrasados, rezando para limparem a Lagoa do esgoto que os burgueses jogam dos seus condomínios de luxo. Atleta que entrou no esporte para fugir do que a dura vida num bairro pode proporcionar: Drogas, falta do que fazer, a falta de estrutura escolar para que um menino esteja longe da chamada “vida loka”. William é um roqueiro, que treina em Porto Alegre, tem 1.93m e o esporte deu a ele uma atividade, uma chance de cuidar da saúde, superar seus limites, lhe deu a disciplina, um objetivo, um estilo de vida positivo e a esperança de dias melhores. Isto para mim é esporte Olímpico. O resto... é perfumaria. Um detalhe. A quadra esportiva da escola municipal estava velha, sem manutenção e sem os aros da tabela de basquete. A Olimpíada dos políticos é igual a quadra daquela escola. Sem uma quadra na escola, aqueles meninos e meninas estão sem um futuro definido.