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A república das algemas

O país acordou hoje sob o impacto de novos pedidos de prisão feitos pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Na mira, o presidente do Senado, Renan Calheiros, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, e mais o senador Romero Jucá e ainda o ex-presidente da República José Sarney. Para este, a recomendação – pela idade avançada – é prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Todos estão sendo acusados, parece, de conspirar contra a operação Lava Jato. A base de tudo é a delação premiada de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, homem que se comprometeu a devolver a fábula de R$ 100 milhões. Se esse tanto ficou com ele, pode-se imaginar muito bem o quanto foi para os bolsos de gente mais poderosa, não?

Bem, quem mais conspirou contra a Lava Jato, até agora, foi Lula. E o que dele foi feito? Nada. Continua sendo um conspirador solto. Autor, partícipe e mentor da pior fase da história do Brasil, continua solto e falando. E ainda com seu inquérito nas mãos de ministro do STF. E, portanto, longe de Sérgio Moro. Ninguém até agora explicou o motivo de Lula permanecer longe da PF de Curitiba. Protagonismo exacerbado talvez explique. Mas, evidentemente, não dele.

Para meu gosto, esta República das Algemas não está sendo “passada a limpo”. Está sendo instrumentalizada num processo amplo, geral e irrestrito – para lembrar de uma expressão célebre de 1979. Os pedidos de prisão foram feitos por Janot há quinze dias, mas só hoje vieram à tona. E como “vieram à tona”? Vazamentos.

Talvez devêssemos cuidar dos vazamentos antes de cuidar de qualquer outra coisa. Se isso vazou para a Imprensa hoje, pode ter vazado para outros interessados há mais tempo. E, ninguém tem o direito de ser ingênuo: se vazamento houve, foi porque interesses existem. Obviamente, não pequenos...

Não há razão para que ex-ministros de Dilma, com chusmas de denúncias, delações e menções, continuem pontificando como se não tivessem nada com o que aconteceu e acontece. Por que não estão na cadeia? Menos mal que as coisas parecem se encaminhar pelo menos para um dos ex-poderosos do extinto período petista, Gilberto Carvalho, o “seminarista”. E os outros?

Não acredito nas prisões pretendidas. Até porque os personagens continuam influindo nas próprias engrenagens do poder. E ninguém quer que o delicado equilíbrio se revele um tombo. Pelo menos, não tão cedo.

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O deputado federal Sandro Alex (PSD-PR), vice-presidente do Conselho de Ética, diz que a cassação de Eduardo Cunha é “obrigação”. Atitude de primeira, frase ainda melhor.

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Aliel Machado (REDE-PR), diz que quer ser candidato a prefeito de Ponta Grossa à frente de uma ampla aliança. E inclui ali seus antigos e clássicos aliados, os petistas.

Parece estar se conformado a permanecer no nicho de sempre.