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Agora, sem divisões. E mais um escândalo

A opinião geral sobre o governo Temer não interessa. Nem a ele, nem a mim, nem a ninguém. Gostar ou não de Temer é irrelevante. Como são irrelevantes as críticas à forma como conduziu a montagem de sua equipe, sobre a falta de mulheres, negros, índios, anões e polacos no seu ministério. Temer é o único governante legítimo do Brasil, neste momento. Não tem uma sombra, um chupacabra de poder, um “superego” barbudo, um mentor que seja. Temer é único, e governa com o que tem, como sabe e como consegue. Ponto. As acusações de que ele é ‘golpista’ revelam muito mais a índole de quem as grita do que a dele. O fato de usar ministros de partidos que antes eram de oposição não só é motivo de aplauso mas de alívio: finalmente parecem ter entendido, quase todos os partidos, que a situação a que o país chegou, por responsabilidade direta de Dilma, Lula & cia. não permite mais divisões. Simples, parece. Mas não é. Temer está sendo confrontado dia após dia com a sombra da ilegitimidade. Mas apenas, o que é sintomático, por aqueles que o colocaram exatamente na condição de sucessor legítimo de Dilma Rousseff. São os petistas – inscritos no PT ou em alguns de seus satélites, de variadas cores e tons – que atacam Temer. Não são os adversários da bem-sucedida porém ineficiente chapa Dilma-Temer. Quem está contra Temer, portanto, é quem acolheu sua indicação para vice de Dilma e o permitiu chegar lá. E isso sim é simples, direto, impermeável a julgamentos de ordem moral.

Entre o mundo real e o mundo da política há diferenças importantes. A primeira delas é o prazo. A menos de uma semana de ter assumido, o governo Temer não tem condições de promover as ações necessárias para recolocar o país nos eixos. Mas fez, em menos de uma semana, o que Dilma não conseguiu em cinco anos e cinco meses: recuperar a confiança do mercado e do cidadão. Aquele projeta o fim da desgraça, este vê que o poço não está mais tão fundo. Nenhuma das imagens ainda é brilhante, ou mesmo positiva. Mas se for comparado com o cenário que o PT criou, é um mundo muito, muito melhor.

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Outro escândalo, e este aproximando-se mais de uma ruptura de fato. Depois do emprego da nomeação como ferramenta para garantir foro privilegiado a um investigado – Lula, que deveria estar lá – agora descobre-se um aparelho de escuta no gabinete do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. A descoberta foi há algumas semanas, e o aparelho estava desativado. Até o fechamento desta coluna, não havia certeza se o aparelho teria sido ativado ou não. Em todo caso, grampear um ministro do Supremo, em seu gabinete na sede do STF é, sem dúvida, um escândalo.

Mas tem gente preocupada, claro, com a conquista de espaço virtual na esgotosfera. Onde ratos usam ‘mouses’ e chafurdam, felizes com a infelicidade geral da nação.