22°
Máx
16°
Min

Algumas verdades

Nesta véspera da votação do impeachment pela Câmara, algumas verdades precisam ganhar nome e sobrenome. Em meio ao tiroteio de agudezas, invencionices, ofensas e platitudes sem nenhum degrau, acredito que a lucidez ainda tem lugar. A primeira e mais inconveniente verdade é que o único golpe é a preexistência de Dilma e ocupação inútil da cadeira de presidente por alguém que ignora a Constituição e descumpre seu juramento, na medida em que permite que o brasileiro perca seu poder de compra, seus sonhos, seu salário, seu emprego e, o que é muito pior, sua esperança. O impeachment não é golpe, é remédio. Puro e legítimo.

Golpe é usar massa de manobra de supostos trabalhadores, que ao invés de constituir lavouras se dedicam a lavrar violência, arar guerras. Golpe é empregar os meios da Presidência para renovar mentiras, revalidar desconfianças e insistir na segregação política. É a voz do petismo, de Dilma e do futuro preso Lula que acomodam em classes antagônicas os que querem um governo eficiente e os que preferem um governo leniente.

Na remota hipótese do atual processo de impeachment, mesmo sendo admitido pela Câmara, ser barrado no Senado, o calvário do Brasil só se estenderá até o próximo. Este, apresentado pela OAB, inclui parte das armações, falcatruas e delinquências várias que resultaram na eleição de Dilma. Na verdade, ainda não encontrei explicação válida para a OAB ter evitado um pedido de impeachment contra Lula, quando descoberto o vergonhoso mensalão.

A única expectativa positiva para o Brasil, lutando contra o atraso em todas as frentes, é o fim desse regime estúpido e criminoso. Mas não basta a deposição de Dilma. Isso ainda é pouco. Ela e seus asseclas devem ser investigados e eventualmente punidos pelos malfeitos de campanha, pela instrumentalização criminosa de contratos públicos e pela malversação do dinheiro de todos nós. E nem falo aqui em seu pecado menor, a incompetência abissal. Ou de sua indigna submissão a Lula.

A única esperança de não perdermos mais é estancar neste momento a sangria de confiança, o desperdício de força, o desmonte da força de trabalho e a falência do futuro. E essa esperança não se resume à deposição constitucional de Dilma, mas vai além, e impõe um novo quadro político, isento de organizações criminosas e de bandoleiros-candidatos ou coisa pior.

O Brasil, que já teve pressa, agora agoniza enquanto a esperança não se concretiza, e ainda somos obrigados a suportar o ônus da desordem, da sem-vergonhice e da pilhagem como método de governo.

Eu não vejo alternativa, senão a retomada dessa esperança. Porque o caos, com Dilma, Lula e seus ainda numerosos seguidores, não entra nessa categoria. É simplesmente o desmonte, a derrota definitiva, o fim.