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Coalizão já. Com quem for possível

Depois que a Lava Jato reduziu o PT a escombros e a descoberta de suas tramoias abreviaram o mandato de Dilma, hoje com as horas contadas, a atenção de volta para um eventual e futuro governo Temer. O PSDB deve participar? Deve ficar de fora? Mas não foram adversários na última eleição? Perdedor pode? Quem mais participa? Quem fica de fora? Por quê?

Bem, primeiro uma observação: em qualquer democracia do mundo, especialmente as de modelo parlamentarista ou com presidencialismo dependente do Congresso, como no Brasil, um partido NUNCA governa sozinho, salvo casos extremos. E, portanto, fora da curva da normalidade. Quando um partido faz alianças com outros e com isso negocia sua participação na equipe de governo (ministérios, secretarias, etc.) isso é visto como absolutamente normal. Aliás, a isso se chama governo de coalizão. Menos no Brasil. Aqui, imagina-se que um cargo meramente político (ministro, secretário de Estado, etc.) deve ser exercido por um técnico. E que ele: a) não deve ter partido; b) no máximo, ser do mesmo partido do presidente/governador/prefeito. Tolice. Pior: burrice.

E também se considera que ao compor sua equipe com integrantes de outros partidos ou forças políticas o governante está praticando o toma-lá-dá-cá, ou algum tipo de transação indecente. Não é. Não é nada disso. Essa prática, usual em democracias representativas, não tem nada de indecente, indecoroso ou ofensivo. É uma prática política corrente, sadia e garantidora de força (em votos) suficiente para uma coalizão poder governar. Só isso.  Então já dá para esquecer o discursinho da “troca de favores” e encarar as coisas como devem ser: governo é resultado de soma, não de separação. Vai ser assim com o de Temer. E que venha logo, com PSDB e tudo.     

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Jornais, impressos e eletrônicos, insistem que o governo federal terá um prejuízo “imenso” se forem renegociadas as dívidas dos Estados. O que os Estados querem: pagar suas dívidas com juros. Mas com juros simples (capital + juros). Só isso. O que foi contratado: juro composto (capital + juros + juros sobre juros). Está certo isso? Não. Nunca esteve. Ainda que seja prática corrente e “todo mundo” faça, não está correto. Juros já são remuneratórios, não é preciso que sejam incorporados ao capital para que este renda MAIS juros. Essa é uma prática essencialmente capitalista que, pelo que estamos assistindo, os socialistas no poder ou com vontade dele acham a coisa mais inocente do mundo. Não é. Pior: não há prejuízo se alguém vier a pagar uma conta a menos. O governo federal não cedeu aos Estados todo o dinheiro que eles devem MAIS juros e juros sobre juros. Assim, que prejuízo tolo é esse? Ah, mas é prejuízo fiscal... Ok, que seja. E quem vai ter prejuízo, mesmo? O contribuinte, no final das contas. Mas qual? Se o governo federal não cobrar juros compostos, o contribuinte terá que arcar com a frustração da receita. E se os tais juros compostos forem cobrados, quem vai pagar a conta é o contribuinte dos governos estaduais. Ou seja, todos nós, de novo. Faz sentido? Como muita coisa, não faz não.

Sou contribuinte e acho indecente a cobrança de juros sobre juros. Por governos, financeiras, bancos e agiotas. Nesse quesito, todos me parecem muito parecidos.

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Finalmente uma medida inteligente, neste país: por enquanto, a Agência Nacional de Telecomunicações não permitirá franquia para internet fixa.

Ainda não demitiram o cretino que admitiu, pela Anatel, essa nova forma de forrar o cofre das operadoras.

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Voto certo contra o impeachment no Senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR) volta às manchetes, em registro de anedota. Delator da Lava Jato diz ter enviado propina para sua campanha numa caixa com etiqueta!

Gleisi, hoje, representa quem, mesmo?