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Distrato social

A sexta-feira, dia 24 de junho, foi o último dia da vida de Odair Gonçalves Carneiro. Comerciante, nascido em Castro e dono de um depósito de bebidas em Ponta Grossa, ele fez o que a prudência desaconselha e a polícia cansa de repetir: reagiu a um assalto. Foi morto com tiros à queima-roupa por um bandido, até agora não identificado nem preso.

O assassinato de Odair é uma tragédia pessoal e um drama social. Mas não deveria ser um tema político. No entanto é, sim. A desfaçatez, a cara-de-pau, a temeridade dos bandidos não encontra resposta entre a população. Somos todos, como Odair, condenados a ver nosso patrimônio e nossas vidas ameaçados e destruídos por gente que não respeita o valor básico de nossa sociedade, a vida alheia.

Por que se convencionou, há milênios, que matar-se uns aos outros era algo errado e proibido? Para que, desde então, as pessoas pudessem andar pelas ruas sem temer que alguém as matasse. Simples assim. Essa é a base do contrato social. Que agora está em desuso. Temos um distrato social: a nós, vítimas e alvos, cabe a paciência, a oração e a calma. A eles, os bandidos, terroristas e provocadores, cabe todo o resto.

Enquanto acreditarmos que o contrato social será mantido entre os bons, e que as perdas de vida são apenas “fatalidade”, os maus continuarão a vicejar, crescendo em número e audácia.

Não entende, quem defende uma reação pacífica e calma à bandidagem violenta, que o contrato social já foi desfeito. A lei que proíbe roubar, ameaçar, agredir e usar armas de fogo não é seguida pelos bandidos. Por que deveríamos reagir, contra eles, com a civilizada condescendência com que se deixam conduzir reses ao abate, por exemplo? Por que somos diferentes? Sim, temos valores diferentes. Mas esses valores, e nós mesmos, estamos sob risco. Já não se pode discutir termos de “inclusão social” com quem nos aponta um revólver carregado ao peito. Temos é que lhe responder com outros argumentos: uma força de reação eficiente, rápida e efetiva. Ou uma arma de calibre maior.

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Até setores da oposição consideram muito difícil que Jorge Sloboda (PDT) deixe de se reeleger prefeito de Ivaí. E isso diante de um quadro bastante complicado, para os pequenos municípios. Sloboda vem nadando de braçada no meio político e são poucas as chances de uma disputa acirrada nas eleições deste ano.

Mesmo porque não há muita gente disposta a correr o risco de uma sova eleitoral.

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Durante a semana o diretório do PT de Ponta Grossa manteve uma reunião para decidir se apoia ou não Aliel Machado (REDE) nas eleições municipais de outubro. A reunião é, e seria de toda maneira, irrelevante. O líder maior do partido, Péricles Mello – hoje deputado estadual – é o maior incentivador da aliança com Machado. E, de toda maneira, o PT não tem nem um décimo da envergadura que tinha. Nas últimas eleições municipais, foi para o segundo turno e perdeu, mesmo contando com o apoio de todas as forças supostamente “progressistas” (Dilma, Gleisi, Aliel e outros menos votados). Elegeu, em outubro de 2012, poucos vereadores. Um dos eleitos foi Ana Maria Branco de Holleben, prima de Péricles, que nem chegou a tomar posse. Inventou um “sequestro”, sumiu do mapa, acabou deixando o partido e enterrando sua vida pública. Os remanescentes desceram do barco antes que a coisa ficasse ainda pior. Hoje o PT, que já foi o partido mais forte da cidade, não passa de uma sombra de sua antiga potência. A decisão da reunião do diretório só interessa mesmo a Aliel, que pode assim contar com tempo maior de propaganda partidária. E talvez, como na campanha anterior, com recursos financeiros do PT, claro.