24°
Máx
17°
Min

Eles não queriam, mas o Brasil vai se livrar

Começa nesta quinta-feira, contra a vontade de gente como os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) e deputados como Aliel Machado (REDE) e Zeca Dirceu (PT) o livramento do Brasil da pior presidente da história moderna. Requião e Gleisi ainda podem constranger o Paraná votando pela absolvição de Dilma Rousseff no Senado. Devem fazer isso. São impenitentes. Aliel e Dirceu fizeram sua parte na Câmara Federal, quando votaram contra a abertura do processo de impeachment, que agora se aproxima do final.

Isso tem importância para as eleições municipais? Absolutamente. Tem importância na medida em que permite que o eleitor daqui e de qualquer outra cidade saiba quais são as opções de seus candidatos. E com quem, afinal, eles estiveram e estão. Também reforça a imagem que se tem dos laços políticos – ou ideológicos – que unem os hoje candidatos aos protagonistas da aventura dilmesca. Mas sua importância vai além, muito além. O Brasil se reencontra com a oportunidade do crescimento, do progresso e da verdade. Se livra do empreguismo, da empulhação e da mentira, bonita ou não.

Para todo cidadão minimamente consciente o mandato-tampão de Michel Temer, que começará pra valer no final de agosto, não é o melhor dos mundos. Particularmente, eu preferia que ele não estivesse lá. Preferia que nunca tivesse sido eleito vice-presidente. Preferia que Dilma nunca tivesse sido eleita presidente. Nem seu antecessor, para deixar bem claro. Nunca votei em Temer, Dilma ou qualquer pessoa a eles ligado, seus apoiadores ou gente por eles apoiado. Simplesmente porque não acredito nas mesmas coisas. Não confio em suas verdades. E repudio suas certezas. Não é difícil de entender. Esse modelo de esquerda utilitária nunca me atraiu. Nunca me convenceu. Nunca me rendeu nada, a não ser preocupação e rejeição. Pois está acabando. E implodindo, o que é notável.

O fim do ciclo Dilma-Lula vem por força, cobrança e insistência de muita gente que um dia acreditou nas suas histórias e promessas. E o fecho dessa história constrangedora e triste está sendo composto por alguém escolhido a dedo justamente pela dupla Lula-Dilma, para compor uma chapa que contemplasse o gosto do eleitor razoável, cansado (ou temeroso) do discurso abusado da esquerda radical, das vilanias dos marqueses do lulismo e da arrogância da aristocracia dilmista. Não foi o antipetismo que derrotou a mentira Dilma-Lula. Não será o antipetismo que vai condenar seus seguidores a uma reavaliação forçada e a uma reeducação política. Também não é o conservador renitente que vai cimentar o túmulo do lulo-petismo. É o eleitor inteligente, ávido por soluções e carente de perspectivas, que já não se convence com o discurso de “é preciso mudar tudo” ou “o modelo capitalista nunca funcionou e só vai trazer felicidade”. Aliás, ele está cansado de slogans. Todos eles. Não suporta, o eleitor/cidadão médio, que lhe digam que comer carne faz mal, que as alfaces têm alma, que banheiro transex deve ser obrigatório, que mimimi é direito constitucional e que liberdade de opinião só vale se for para vaiar gente que a esquerda acha que não presta.

Acho muito simpático o programa “Escola sem partido”. Conheci escolas – de todos os níveis – com e sem partido. Com e sem assinatura confessional. As que se assumem como o que são, como as confessionais, são admissíveis. As que se pretendem isentas, sem ser, deveriam ser fechadas. Sofri muito tendo que suportar doutrinação em horário de aula, ‘reeducação ideológica’ ao invés de conteúdo e discussões sobre preferências eleitorais ao invés de, sei lá, técnicas de reportagem ou coisa parecida. Gostaria mesmo de ver as universidades funcionando sem a prevalência de um partido/ideologia. Sei que isso é impossível, porque é da sua natureza permitir e propiciar o alinhamento político e ideológico. Mas acredito que a escola fundamental e o ensino médio devem ser extirpados de qualquer manipulador de fatos que se apresente, e que mesmo nas universidades o ambiente acadêmico seja segregado: o que é doutrina fica para o espaço de doutrina – e cada um segue a que melhor lhe convier. O que for espaço pedagógico fica restrito para isso, sem contaminação. Não é fácil, talvez nem seja viável. E já vai aparecer alguém para dizer que estou querendo impedir a “interpretação” de algum fato, técnica, dado ou posicionamento, ao alijar a doutrina da pedagogia. Tolice, claro. Não é isso que eu acredito ser o melhor. Mas é preciso que as interpretações sejam de fato livres, que as avaliações sejam verdadeiramente isentas e que os conteúdos sejam explicativos, e não ferramental para a disseminação de slogans burros e ideais vencidos.

Não suporto a desfaçatez transformada em método. Nem a ignorância agitada como bandeira. Lutei minha vida inteira contra isso, vou continuar lutando. Aqui não tem concessão à barbárie, diálogo com fanáticos, nem espinhas dobradas diante da Idéia-ídolo.

E sim, isso tem tudo a ver com as eleições municipais. E com as estaduais, com a renovação das casas legislativas e, além de tudo, com o tempo que o Brasil vai demorar para se refazer dos treze anos de confusão, estupidez e atraso a que nos submeteram.

Para mim, foi tempo demais. Agora chega.