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Encabulado ou dissimulado?

- Encabulado ou dissimulado?

Em Ponta Grossa, é difícil identificar um candidato petista ou apoiado pelo PT. Os petistas candidatos estão todos em discretas coligações e alianças encabuladas. Mas são identificáveis, ainda. Mesmo o candidato a prefeito que os petistas apoiam, Aliel Machado, não faz questão de exibir a gloriosa estrela vermelha. Aliás, está bem longe do vermelho, optando por tons bem mais amenos. Bem diferente do tempo em que, na condição de vereador pelo PCdoB, fez campanha pela reeleição de Dilma Rousseff para a presidência e de Gleisi Hoffmann para o governo do Paraná, estrelas e vermelhos, com a foice e o martelo, sempre em evidência. Acredita mesmo ele que as pessoas esqueceram isso? Que essas opções políticas não fazem diferença agora? E que essa atitude, de receber apoio discretamente do petismo encabulado é algo que deva ser considerado como sinal de independência da esquerda mais nefasta? Pois não é. Uma das coligações em torno de Aliel chama-se “Cidade Viva”, que não é outro senão o mote de campanha e o monotema de toda a triste gestão de Péricles Mello, que agora está sim ao lado de Aliel e o apoia. Ou não é verdade? Ah, é verdade mesmo, como mostra inclusive a propaganda do candidato da Rede no horário gratuito.

Ter o apoio do PT não seria o mal em si, só o sinal de quem escolheu para compartilhar o poder. Mas pior é talvez estar recebendo esse apoio em retribuição pelos bons serviços prestados à causa da esquerda nefanda: dando suporte à bancada dilmista no Congresso, votando com o PT e seus associados na Câmara Federal para tentar impedir o processo de impeachment e, claro, tendo feito sua parte na campanha que resultou na reeleição da pior presidente que este país já teve.

O que esperar dessa conjunção de esquerda, neste turno ainda isenta dos paroxismos radicais daquela outra? Nada. Nada que já não tenhamos visto e, como atestam as urnas em mais de uma oportunidade, desaprovado. O plano de “manter o que está funcionando” não precisa do endosso dessa esquerda. A proposta de oferecer mais do mesmo, plasmando (reciclando, que seja) ideias vencidas no começo da década passada parece o que talvez seja o ocaso da certeza política de que PT & congêneres contariam, de saída, com a simpatia de um em cada cinco ponta-grossenses. Não acredito que haja mais tanta gente iludida. As experiências demonstraram o erro incrível, e o noticiário reforça, todos os dias, a certeza de que esse definitivamente não é o caminho.

A ausência de uma autocrítica do petismo é o que torna claro sua natureza. Não parece ter compreendido, aqui ou em qualquer lugar, que a situação delicada do país se deve às suas práticas, à sua gente, à sua teimosia e à sua pretensa perfeição. Não admite, o petismo de coração, que suas opções foram erradas, que seu caminho não leva a lugar nenhum e que é preciso reinventar-se. Prefere, como parece claro em Ponta Grossa, outro jogo: a ocupação de espaços com pontas-de-lança de outras siglas, ainda unidos sob o mesmo ideal socialista. O que por si só já desmente a existência de intelectuais de verdade entre eles.

  • A esquerda mais radical, que não descobre a cabeça – não assume a própria imagem, é isso? – prega o fim da atração de investimento externo em prol do que? Do escambo.
  • Não consigo imaginar o que seriam “ambulâncias especializadas”, como promete um candidato a prefeito. Teriam feito especialização em que? Transporte rápido? Sirene & giroflex? Agilidade no trânsito? Carros não fazem especialização, ao que se saiba. Até agora, pelo menos.
  • Escassas publicações com as medições de intenção de voto, bem diferente das campanhas anteriores. O que não significa, em absoluto, que as pesquisas não estejam sendo feitas amiúde.