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Não teve golpe, teve faxina

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(Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Dentro de pouquíssimo tempo, o país estará livre da maior empulhação eleitoral de sua história. Começou com um ex-metalúrgico inepto, termina com uma inepta ex-presidente. E, como muita gente pedia, gritava e exigia, não teve golpe. Teve apenas o cumprimento regulamentar do rito, da lei e da Constituição. Enxotamos parte do mal. Sem golpe.

Haveria golpe sim se prosperasse a idéia doidivanas de um ‘rapa’ geral, cassando mandatos para fazer uma nova eleição, como se jogar no lixo a Constituição fosse algo meritório. Não é. Quem defendeu isso, no Congresso e fora dele, é sim um golpista. Agora envergonhado, se tiver um mínimo de decência – o que não espero dessa gente.

Não teve golpe na mídia. Embora o financiamento à esgotosfera, aos blogs sujos e aos portais do faz-favor, que dobravam-se às cretinices palacianas em troca de muitos dinheiros tenha diminuído, não teve nem esse golpe. Também não teve golpe na pretensa mídia “independente”, que acha justo, adequado e “democrático” mencionar sempre o partido do governador do Paraná mas se recusa a mencionar o partido da quase-ex-presidente impedida e com direitos políticos (daqui a pouco) cassados por crime de responsabilidade.

Talvez tenha havido uma tentativa de golpe, sim, mas não político, de Estado ou parlamentar. Golpes, que se saiba até agora, houveram em outros fundamentos. Houve golpe contra a lisura das eleições, com o estelionato eleitoral de Dilma & companhia; houve golpe contra a democracia, com a injeção criminosa de dinheiro sujo nas campanhas; houve golpe contra a Constituição, ao se buscar a segregação do povo brasileiro em ‘golpistas’ e ‘resistentes’, como se a divisão de opiniões tornasse uns odiosos e outros virtuosos – sendo, na minha opinião, exatamente o oposto.

Estavam certos, enfim, os que gritavam que “não haveria golpe”. Não houve. O que houve foi o fim de uma política de grandes, milionários e assustadores golpes.

E ainda não terminou. É preciso ir além e superar essa fase triste, sombria e retrógrada da história brasileira. Duvido que Michel Temer seja o homem certo para concluir esse trabalho. Mas sem dúvida ele está no lugar certo e tem demonstrado a determinação necessária para começa-lo.

Não teve golpe. Teve faxina. Mas ela só está começando.