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O analfabeto moral

(Foto: Roberto Parizotti / Cut) - O analfabeto moral
(Foto: Roberto Parizotti / Cut)

Na lista de malfeitos do petismo, além da aliteração e da novilíngua politicamente correta, foram encontrados outros malefícios. A descaracterização da mentira como atitude reprovável, da propina como crime e do mau-caratismo como defeito de caráter. O criador de tudo isso, naturalmente, é o chefe de todos, o inspirador, o mentor e o maior beneficiário da maior farsa política já criada neste país de muitos superlativos.

Eleições, qualquer ‘alfabetizado político’ sabe, são plebiscitárias: escolhe-se um, aprovando suas ações, seus projetos e suas atitudes, além de seu caráter. A nova contribuição do lulopetismo, segundo seu criador, é dar à eleição um caráter ainda mais subjetivo e uma qualidade suprema. Segundo Lula, o Único (graças a Deus), as eleições são também redentoras. Temos, no Brasil, a portentosa imagem do Cristo Redentor e a prática bianual da eleição redentora. Naquele, depositamos fé; nesta, vemos serem apagados os pecadilhos, traições, incompetências e, no dizer do mestre-de-todas-as-manhas, até a ladroagem.

A ideia de que um político pode ter sido um “ladrão” no exercício de seu mandato, mas isso poder ser esquecido ou absolvido pela vitória nas urnas é uma ofensa ao bom senso, ao bom gosto e à própria política. Tocado talvez pela emoção, pelo medo (o que acho mais provável) ou pela mitomania, Lula exerce seu poder de encantamento e proclama: só os políticos são verdadeiramente honestos, porque são desonerados de sua ladroagem assim que se submetem às eleições subsequentes.

De fato, é um conceito subversivo. A honestidade não é mais um componente do caráter, o resultado do exercício de um princípio, sequer um patrimônio moral. É apenas o fruto do destemor de encarar eleitores e disputar eleições. Não haveria – se isso não fosse uma abominação intelectual, uma estupidez e uma bobagem – nenhum candidato ‘ficha suja’. A mera inscrição na disputa faria dele, automaticamente, um homem ‘honestificado’.

O espantoso não é que tamanha cretinice tenha sido dita por um homem que está sendo acusado pelo Ministério Público Federal de ser o pai da propinocracia, o beneficiário do mensalão e do petrolão. O que espanta é que haja quem o aplauda, defenda e sustente essas teses obtusas e absurdas.

Talvez ao Brasil não faltem recursos. Talvez falte apenas um pouco mais de vergonha. Vergonha na cara, como a Lula e seus parceiros; vergonha efetiva, aos envolvidos, beneficiários e tributários dessa caudalosa voragem criminosa, e vergonha aos que nele ainda acreditam, apoiam, votam e mantém politicamente vivo, através de seus lugares-tenentes, seguidores, admiradores e eleitores. E aí entram todos os que se aliam ao seu partido, à sua organização, aos seus partidos-satélite e aos que pretendem se beneficiar da nefasta estrutura custeada pelo banditismo de Estado.

E não se trata de figuras de retórica. Trata-se, infelizmente, de um retrato triste e assustador de um meio político infectado, torpe e muito prejudicial.

Em tempo: apesar da bobagem inominável que foi sua atuação teatral, Lula se mostrou como de fato é: um analfabeto moral.