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O deboche e a atitude típica

A entrevista do ex-ministro José Eduardo Cardozo à Folha de São Paulo, publicada esta semana, é uma demonstração clara de como funciona a estratégia da esquerda de resultados. Cardozo continua defendendo sua participação no mais limpo dos governos – o de Dilma parece – e sua atuação no mais ético dos partidos, o PT. Segundo ele, claro. Cardozo acha que o partido a que pertence não fez nada de errado. Mesmo: ele acha é que o partido é vítima! Em dado momento, esgrime a seguinte inverdade: “tivemos uma grande ofensiva contra nós”. Por que inverdade? Porque foi uma contra-ofensiva. Ofensiva – nos dois sentidos – foi a ação do partido que ele defende tão apaixonadamente. E tem mais. A horas tanta, Cardozo tenta minimizar o sistema petista de locupletação: “pelo fato de uma pessoa ter sido acusada de praticar um ato ilícito se tentava colocar a pecha em todo o partido de ser um partido que atuava no ilícito”. O ex-ministro de fato é exemplar. Ele cita UMA pessoa, sendo que a contribuição dos petistas para a maior rede criminosa que esta país já viu foi bem mais, digamos assim, generosa. As fatias da propina oriundas da Petrobrás não saiam para uma pessoa, segundo as sentenças judiciais já em cumprimento e as diversas delações; eram feitas em quotas e em benefício de partidos, o dele inclusive. Ocorre que, fiel a seus princípios e às táticas usuais, Cardozo estende o vitimismo a uma ilação cretina: “idênticas situações em outros partidos simplesmente eram esquecidas”. Uma ova! Todo mundo sabe que PP e PMDB eram partícipes do esquema. Mas onde está a organicidade da coisa? Quem é que detinha o controle efetivo sobre tudo? O partido que teve ex-presidentes e ex-tesoureiros encarcerados e condenados por corrupção. Olhar em volta em busca de culpados pelas próprias ações é típico; acusar do mal de que se é autor também. A esquerda não aprende. Nem nunca vai aprender.

O complicado é que Cardozo não é só ex-ministro do pior governo que essa República tristonha e pródiga em engodos legou ao Brasil. O complicado é que ele também é advogado. E, como advogado, tem se esmerado para parecer... juiz: julga com benevolência incrível seus companheiros de partido, com rigidez inaudita o juiz Sérgio Moro e absolve Lula! Adiante, na mesma entrevista à Folha, diz que “o fato de alguns companheiros...” – note que já não é UMA pessoa, mas ALGUNS. Um dia ele chega ao coletivo verdadeiro – “...poderem ter agido de forma equivocada...”  Como assim? O douto Cardozo fala em poder ter agido de forma equivocada. O resto do mundo, a lei e a Justiça brasileira falam em outros termos, bem mais apropriados. Corrupção agora é pecadilho, engano ou deslize? Corrupção é a mesma coisa que tomar a primeira rua ao invés da segunda? Como assim “forma equivocada”? Não foi equívoco; foi opção, ação clara, determinação. Equívoco é engana. Ninguém se corrompe por engano. Nem é corrompido num vacilo.

De fato, o país precisa mesmo retomar alguns pontos de sua história. Colocar no devido lugar da história o petismo, Dilma e Cardozo pode ser um bom começo.

O lugar devido para Lula, ao que me parece, também já é bem conhecido. E não tem nenhuma similaridade com palácio, embora também requeira segurança federal.