23°
Máx
12°
Min

O fogo arde e a tocha passa

A passagem da tocha olímpica por Ponta Grossa, nesta sexta-feira, poderia ser só um acontecimento histórico, mas virou polêmica. Grande. Chata. Um bom número de cidadãos e ativistas de redes sociais acha isso completamente desnecessário. E um gasto enorme. A simbologia do Fogo Olímpico, naturalmente, se perde nas brumas da seção de comentários do Facebook. O porquê do Fogo Olímpico, a devoção aos ideais olímpicos e a oportunidade histórica são, de novo, relativizados. Boa parte dos comentadores de fatos, ativistas de sofá e polemistas do Twitter acha que é tolice gastar dinheiro público com isso. Com um evento que é histórico e nunca mais vai se repetir? Sério mesmo? Ninguém, desta ou das próximas gerações, vai assistir a uma Olimpíada no Brasil, acredito eu. Isso é coisa de se ver uma só vez. O que não significa, em hipótese alguma, que seja admissível torrar recursos públicos indiscriminadamente. Em Ponta Grossa a polêmica foi gerada pelo valor empenhado para as atividades relativas à passagem da Tocha Olímpica. Até vereadores andaram comentando isso, como se fosse uma espécie de assalto aos cofres públicos. Tolice. Acham que o dinheiro está sendo usado para a troca de mãos da tocha em si. Como se não houvesse uma ampla programação de natureza cultural (investimento em Cultura pode ou não?) incluindo concertos, shows e várias outras atividades. E todas as esferas de governo têm a obrigação de dar publicidade a todos os seus gastos, inclusive com isso. Logo, todos vão saber em que, exatamente, se gastou cada centavo.

O caso em Ponta Grossa evoluiu (será esse o termo) e chegou à Câmara. Vereadores estrilaram e alguns baluartes da oposição cogitaram convocar representantes do governo municipal para se explicar. Não funcionou.

Nas redes sociais, no entanto, a onda continua. Há inclusive uma ‘vaquinha virtual’ para pagar multas de pessoas eventualmente presas por atentar contra o evento. Ninguém sabe o quanto disso é, no entanto, verdadeiro. Pelo sim, pelo não, as forças de segurança estão atentas. A Força Nacional, afinal de contas, é a responsável pela segurança da Tocha e pelo acompanhamento dos convidados a participar do revezamento.

O que se vê na internet, no entanto é outro tipo de revezamento: os que detestam a idéia de que a Tocha seja um símbolo de unidade e paz e os que estão descontentes com tudo, inclusive com a realização das Olimpíadas no Rio porque, afinal, sempre há “outras prioridades”. Sempre há “outras prioridades”, de fato. Mas não são iguais para todo mundo e isso é visível.

O episódio da onça Juma, morta depois de uma presepada com a Tocha no Amazonas, acabou incendiando as opiniões contrárias à celebração desse evento histórico. Tudo parece ter ficado com um ar de “não precisava, não”. Se dá o mesmo com o descontentamento pós-eleição. Criticar agora a realização da Olimpíada no Brasil é tão inútil quanto reclamar, depois da eleição, que Fulano (ou Fulana) não merecia ser aquilo para o que foi eleito.

Com relação à tocha olímpica, que só vai passar pelas cidades do Paraná uma vez nesta vida, precisava, sim. Com espírito olímpico, ordem e inteligência.

Saindo fora

Líder-fetiche de alguns políticos locais, Osmar Dias (PDT) deixou a vice-presidência de Agronegócios do Banco do Brasil. A pedido.

Ele estava no cargo desde 2011 e tinha indicação política. No entanto, é inegável que ele tinha credenciais: foi durante vários anos secretário de Agricultura do Paraná e sempre falou a língua do interiorzão.

Outra vez Aliel

Aliel Machado (REDE) continua apanhando da massa crítica. Desta vez, por seu posicionamento a favor do bloco de esquerda – e contra o Paraná – na votação do regime de urgência para projeto do governo federal que prevê a renegociação das dívidas dos Estados. Apenas sete dos 40 deputados paranaenses votaram contra. Um timaço. Além de Aliel – ex-PCdoB – só a turma da esquerda-esquerda fez questão de ir contra o interesse do Paraná, mirando em Temer: Christiane Yared (PR), Assis Miguel do Couto (PDT), os petistas Zeca Dirceu e Enio Verri e um dos herdeiros de Requião, João Arruda (PMDB).

Outro ramo

Enquanto industrial, Álvaro Scheffer (PV) está se mostrando um “ótimo agricultor”. Está ‘plantando’ notícias com uma habilidade nunca antes demonstrada. Seu gesto mais significativo em busca da formalização de uma candidatura a prefeito de Ponta Grossa, no entanto, foi bem ao gosto de alguns seus admiradores: trocou sua foto de perfil no Facebook.

Na verdade o conglomerado Águia, de que Scheffer é um dos sócios, tem também um ramo florestal forte. Justamente nas mãos dele.

Faz-de-conta

Fomentada por rebeldes, a cisão do PPS é só para bueno ver. Não aparece no discurso do vice-prefeito Doutor Zeca, nenhuma menção ou avanço na disposição – anunciada por outros, nunca por ele – de disputar a indicação da sigla contra o atual prefeito, Marcelo Rangel.

 Os mais antigos chamam isso de ‘forçação de barra’. Os mais recentes chamam de outra coisa...