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O mal que esquerda (ainda) faz

Enquanto no plano da micropolítica tudo vai bem, com o PT, seus financiadores, aliados e satélites sumindo do horizonte eleitoral, na macro política a história é diferente. Bem diferente. A ascensão de Michel Temer (PMDB) ao lugar de Dilma Rousseff ainda não significa que o país reencontrou o caminho da liberdade. Nem que isso representa uma solução imediata e efetiva para a grave crise que atinge o país, como resultado direto da implantação de práticas administrativas destinadas a fortalecer o Estado. Ou seja, de um modelo socialista de governo e gestão.

Ainda está longe o dia em que o paternalismo do Estado será substituído pela primazia do Cidadão. E, por conta disso, os discursos todos e as propostas todas, de políticos e grupos de pressão, servem apenas àquele, nunca a esta. Mesmo que pensem estar fazendo diferente. A discussão sobre a saída para a crise, por exemplo, é um ótimo campo de exibição. Não há margem para dúvida. A preocupação tem sido a redução do déficit fiscal como forma de “alavancar” a recuperação do país. Apenas o saneamento das contas do governo – insiste Meirelles, Goldfarb e toda a equipe econômica – vai permitir que as empresas voltem a crescer e os empregos sejam reabertos.

Dependemos como nunca do financiamento estatal. Compras do Estado, empregos do Estado, compras decorrentes de salários pagos pelo Estado, serviços do Estado, gastos com serviços do Estado. Se o Estado quebrar, o país para. Mas milhões de brasileiros quebraram. O que faz o Estado diante disso? Aumenta os impostos que vão atingir inclusive os que estão financeiramente quebrados. Se milhões de brasileiros estão com dificuldades para pagar os absurdos juros compostos de qualquer financiamento bancário o que faz o governo esquerdista deste país? Mantém os juros altos e impede ações que resultariam num preço adequado e acessível ao dinheiro.

O empreendedorismo é estimulado como forma de gerar renda. Mas quanto disso gera emprego? E contribuições à Previdência, que está quebrada tecnicamente há – diz a velha Imprensa – pelo menos 40 anos, mas ainda continua sendo um ótimo negócio? Ter milhões de microempreendedores pode ser fantástico. Se eles estiverem nessa condição levados pela oportunidade, não obrigados pela crise e assolados pelo desemprego. O microempreendedor depende em tudo do governo. E naquilo que mais precisa, financiamento barato, só encontra silêncio: é com os bancos que ele deve conversar, submetendo-se aos juros mais espetaculares (no mau sentido) que este planeta já viu.

O empresário está acorrentado a uma malha tributária implacável. Em nenhuma outra área o governo é tão eficaz quanto na Receita. Somos contribuintes compulsivos e não percebemos sequer quando pagamos. Alguns, bem poucos, estão lentamente se dando conta do assédio tributário nas notas eletrônicas do comércio. A maioria nem olha para aquilo, mas percebe que mês a mês seu dinheiro encolhe. Ao empresário, que se sujeita também a esse regime de submissão tributária, resta pouca alternativa a não ser repassar esse custo primário aos seus preços. Mesmo tendo que reduzir margem, cortar custo, fechar vagas.

A cartilha da esquerda está sendo seguida à risca. Estado máximo, paternalista (auxílio, complemento de renda, serviços gratuitos e em profusão, controle absoluto sobre os juros, o câmbio e os demais fundamentos da economia), oneroso e ineficiente (auxílios insuficientes, serviços ineficazes, juros ofensivos, câmbio estupidificado). Foi para seguir esse modelo que milhões de brasileiros votaram em Dilma Rousseff. E elegeram Michel Temer.

 Seguidores dessa visão política estão espalhados por todo o país, anunciando a expectativa de um eterno porvir através da consolidação do Grande Estado Poderoso, ou coisa parecida. O olhar para o cidadão, o indivíduo, sua liberdade e sua capacidade parecem coisa de alienado, “direita”, fanático ou repetente nas classes de História. Mas não é: é o único caminho que não passa pela terceirização do prejuízo, pela socialização da crise, e pela popularização da dependência.