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O nome disso é cinismo

Edinho Silva, ministro e ex-tesoureiro da campanha de Dilma, não é homem de se deixar vencer pelos fatos. Mas sua valentia perante a verdade não faz dele um virtuoso, longe disso. Diante da demolidora delação premiada do ex-presidente da Andrade Gutierrez, sócio confesso da estrondosa falcatrua que ajudou a eleger e reeleger a petista, fez pose de estadista. E afirma que nunca, em momento algum, durante suas reuniões com o hoje delator, usou a palavra “propina”. Por quem esse sujeito nos toma? Por imbecis? Alguém imagina que uma pessoa, quando vai cometer um crime de difícil rastreamento, vai explicar ao interlocutor/cúmplice suas ações, com pormenores e expressões adequadas? Só se ele for o vilão de um filme de espionagem, que faz um longo discurso explicando suas razões, histórico, métodos e planos antes de matar o herói – que nesse meio tempo é salvo justamente por causa da duração do discurso-confissão.  Edinho causa engulhos.

A versão ‘automática’ do PT diante de qualquer acusação de que dinheiro sujo foi empregado na campanha de Dilma Rousseff (ou de Lula, ou de Gleisi, ou de qualquer petista que seja) é algo parecido com o malabarismo de Edinho: todas as doações foram feitas dentro da lei e declaradas à Justiça Eleitoral. Mas claro que foram! Se não fossem declaradas Dilma nunca teria sido empossada ou mantida – até agora – no cargo. E se fossem ilegais não seriam declaradas, naturalmente. Ocorre que, tanto num quanto no outro caso, a ilegalidade não está no emprego da palavra ‘propina’, mas sim no seu pagamento. E tampouco na forma, mas na essência. Nos tomam por idiotas, por ingênuos ou por incapazes. Ainda que alguns...

A construção de um juízo de valor acerca dos métodos de arrecadação das campanhas de Dilma não se faz com base apenas no que o PT tem a dizer. Até porque o partido, com as provas já coletadas e as evidências já demonstradas, é talvez menos confiável que qualquer delator, mesmo que envolvido nas trambicagens. O que é ilustrado claramente pelo fato de ter dois ex-tesoureiros presos, dois ex-presidentes presos e diversos diretores denunciados – sem contar parlamentares, próprios ou alugados, que foram parar atrás das grades por justa causa.

* Despachando de um hotel como ministro informal, Lula terá reveladas suas posições – em novas gravações – quando, mesmo?

* A ideia de jerico de propor eleições gerais agora cai como uma luva para os cripto-petistas: ajusta-se tão bem a proteger Dilma e a situação atual quanto a proposta de impeachment contra Michel Temer. A conclusão esperada é a seguinte: contra nenhum governo, melhor esse que está aí. Tolice.

* Para quem acha que eleição é solução: em 2014, 54.501.118 brasileiros votaram para manter Dilma no Planalto, no segundo turno.

* Para quem acha que eleitor fica mais sábio: em 2014, no primeiro turno, Dilma atraiu 41,59% de todos os votantes. No segundo turno, contando com a turma que votou em Marina Silva e outros que ficaram pelo caminho, levou 51,64% do total. Aécio Neves (PSDB) teve 33,5% dos votos no primeiro turno e, no segundo, 48,36%.