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O PT vai continuar. Para o bem ou...

Nem mesmo a enxurrada de denúncias, a prisão de ex-presidentes, ex-diretores e ex-tesoureiros do partido e as denúncias de entrada de dinheiro bandido em contas, campanhas & afins é suficiente para que o país se veja livre dessa legenda. A Lei dos Partidos Políticos, a 9.096, de 1995, atualizada em 2009, só prevê o cancelamento do registro de uma agremiação partidária se ela tiver recebido ou estiver recebendo dinheiro de origem estrangeira, estiver subordinado a entidade ou governo estrangeiro, que não tenha prestado contas à Justiça Eleitoral (mesmo que sejam reprovadas, é bom frisar) e, finalmente, que mantenham organização paramilitar.

Participação sistêmica em esquemas de desvios, etc. não é, segundo essa lei, motivo para cancelamento de registro. Mas seus filiados e envolvidos com crimes investigados pela Lava Jato e seus desdobramentos também não precisam se preocupar muito com a questão da legenda. Segundo a lei, “filiado algum pode sofrer medida disciplinar ou punição por conduta que não esteja tipificada no estatuto do partido”.

A solução então, passa pelas urnas. Quem não quer, não vota nele, neles ou em seus afilhados, apadrinhados, beneficiados, defensores, militantes & aficionados, além de simpatizantes, utilitários e quetais.

Pedreira

Não são os melhores dias para o ex-presidente do PV de Ponta Grossa, João Barbiero, que já foi vereador, secretário de Assistência Social e de Governo, e depois candidato a prefeito, e depois vice. Teve o comando do PV transferido de suas mãos, e ainda enfrenta uma reação dura depois de ter uma nova nomeação a assessor de Gleisi Hoffmann (PT-PR) tornada pública.

Dois terços

O eleitor paranaense vai ter que rezar muito. Dois terços da bancada do Estado no Senado ainda acha que Lula é o maior líder do Universo e que Dilma deve voltar à Presidência da República. Os votos de Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) estão na contabilidade dos 18 que devem se posicionar a favor da presidente afastada na votação do impeachment no Senado.

O terceiro voto do Estado, Álvaro Dias (PV) é naturalmente contra Dilma e tudo que ela representa.

Constrange

Bob Requião, o mestre da diplomacia, conseguiu constranger ainda mais os paranaenses, esta semana, oferecendo um jantar a Lula para que o mandatário de Dilma reunisse senadores contra o impeachment.

Foi, claro, um fracasso. Só apareceu a turma de sempre.

Simbiose

As duas notas acima mostram bem que em algumas situações o fato de um cidadão pertencer a determinada agremiação política não faz dele, automaticamente, alguém que se alinha com suas posições, não é mesmo?

Empreitada

A turma da esquerda parece ter ganhado enxerto. Agora o PR – que já foi sigla abençoada por um vasto número de líderes evangélicos no Paraná – aproxima-se da candidatura do ex-comunista, hoje enredado (digo, hoje na REDE) Aliel Machado. Que já tem o apoio do PT e deve ter também de parte do PCdoB, que o viu nascer (politicamente, claro) e que teve com ele sua primeira e única cadeira na Câmara de Ponta Grossa.

Militontos

Usando como porta-vozes o que a esquerda tem de mais sectário, uma “frente” se manifesta contra o movimento Escola Sem Partido. Talvez porque saibam que isso acabará, em um intervalo de duas gerações, com o predomínio esquerdista na academia e na maioria dos círculos da intelectualidade ‘engagé’. Não vai rolar. Os argumentos que a turma da esquerda-volver está usando são basicamente os mesmos de quem defende o Escola Sem Partido. A começar pelo dispositivo constitucional que determina o pluralismo de idéias e concepções ideológicas. Só isso já acaba com o partido-na-escola, e com as escolas-partidárias, especialmente universidades.