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Omissos dão sobrevida à esquerda ‘companheira’

No total, mais de 25.000 eleitores foram às urnas em Ponta Grossa, neste domingo, para não votar. Um número expressivo, 16.612 preferiu anular seu voto. Outros 9.161 optaram por votar em branco, na eleição para a prefeitura. Mais ainda, e mais sério: pelo menos 20.700 eleitores registrados em Ponta Grossa preferiram fazer outra coisa do que ir registrar o seu voto. Com isso, garantiram uma sobrevida de poucas semanas ao projeto da esquerda companheira, fruto da aliança da REDE com o PT e o PMDB, com o candidato Aliel Machado.

No final das contas, Aliel obteve menos de 30% dos votos válidos. Isso significa que sete em cada dez ponta-grossenses rejeita a opção pelo hoje deputado federal que, eleito pelo PCdoB, alcançou notoriedade local ao votar contra o impeachment de Dilma Rousseff. Sua proximidade com o PT e o PMDB não é de hoje. Aliel foi um dos mais ferrenhos defensores da candidatura da hoje senadora Gleisi Hoffmann – ré em processo de corrupção, mas isso parece ser o de menos, para parte de seus eleitores – ao governo do Paraná. Em todo caso, Aliel Machado tomou conta de 49.611 votos, ou 28,15% do total de votos válidos, à frente de outra aliança espantosa, que reunia o PMB de Júlio Küller com o PDT do deputado Márcio Pauliki. Este ficou pelo caminho com uma votação muito menos do que a projetada. Bem, o objetivo deles era, conforme a propaganda eleitoral, apenas chegar ao segundo turno. O eleitor de Ponta Grossa disse não.

O atual prefeito, Marcelo Rangel (PPS), à frente de uma coligação que reúne do PSDB ao DEM, passando pelo PSB de sua vice, Elizabeth Schmidt, ficou a pouco mais de 2% da vitória definitiva no domingo. Rangel levou 47,68% dos votos válidos. Parece pequena a diferença, e é. Mas nem é isso que importa, neste momento. O que parece claro é que os omissos foram determinantes para sustentar a campanha eleitoral por mais algumas semanas. E isso não se deve ao exercício do contraditório, ou às maravilhosas propostas da dupla opositora Aliel & Kuller. Ocorre que se somados os dois, o total de votos alcança pouquinho mais de 77.000, ainda assim milhares de votos atrás de Marcelo Rangel. No cômputo global, praticamente a metade dos ponta-grossenses que decidiu ir às urnas e votar de verdade prefere Marcelo Rangel. Uma fração prefere Aliel, outra Küller e ainda há espantosos 12.214 eleitores que optaram pelo voto em Sérgio Gadini, o candidato do PSOL que “denunciou” a política de atração de indústrias da cidade, anunciando que prefere, ao invés disso, trabalhar pela “economia solidária”. No final das contas, menos 7 em cada 100 eleitores ponta-grossenses optaram ainda assim pelo candidato do PSOL. Pelo registro, forçoso é anotar que outros 2.900 (1,65% do eleitorado) queria eleger Leandro Soares Machado, cuja participação no programa eleitoral gratuito foi singular, literalmente: um único comercial foi exibido durante todo o período de propaganda eleitoral, do primeiro ao último dia.

Afinal, qualquer das formas de recusa, anulação, voto em branco ou abstenção, seria mais do que o suficiente para encerrar a campanha eleitoral em Ponta Grossa já neste domingo, confirmando a vitória de Marcelo Rangel. O eleitorado preferiu diferente. Essa mesma maioria que já se manifestou neste domingo terá que voltar às urnas, antes do final do mês, para decidir se o trabalho continua ou se vai dar uma nova chance à esquerda derivada do petismo e do centralismo lulopetista, base das alianças de Aliel e – na sua eleição para deputado federal, em 2014 - responsável por parte significativa de seus fundos de campanha.

Num período em que a participação política se sobrepõe à militância, é triste porém revelador que os omissos tenham decidido este primeiro turno: os discursos políticos e sua forma de apresentação ainda não estão sendo suficientes para atender, alcançar e despertar a atenção de uma parte fundamental do eleitorado.

• Um registro positivo: nenhum candidato do PT, com o número 13 na frente, chegou sequer entre os 100 mais votados em Ponta Grossa. O ex-maior partido deste lado do Sul do Mundo fica sem nenhum representante na Câmara local. E de modo algum isso é uma má notícia.

 • Uma folgada maioria dos vereadores eleitos está coligada ou próxima à coligação de Marcelo Rangel (PPS/PSB/DEM/PSB).