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Os honestos e os “direitos”

Fez sucesso nas redes sociais, esta semana, vídeo de uma suposta “experiência” para aferir a honestidade de cidadãos americanos e brasileiros. O vídeo, tosco, não traz indicativo de cidade, período ou quem o produziu. Trata-se apenas de algo tendente a demonstrar que os americanos (de que cidade, Estado, região, em que horário e em que vizinhanças, circunstâncias, ninguém sabe) são muitíssimo mais honestos do que os brasileiros. Isso é tolice, claro. Não há termo de comparação. E não é pela questão íntima e pessoal do que significa “honestidade”, mas sim pela mais banal, porém pública, questão da repressão à criminalidade.

A noção de cada um sobre o que é crime e o que ele pode causar – ao seu autor, às vítimas e à sociedade – é diversa. E por isso mesmo há questões que volta e meia voltam à discussão, entre elas o porte de armas. Enquanto no Brasil se promoveu uma campanha maciça de desarmamento de população, inclusive destinando dinheiro público para ‘comprar’ armas sem registro ou comprovação e procedência, que depois seriam destruídas (junto com a possibilidade de se provar se estivessem como evidência ou prova de um crime), nos EUA há campanhas permanentes para que os obstáculos à compra de armas sejam sempre menores. O direito de defender-se é uma diretriz constitucional nos Estados Unidos. No Brasil, parece sempre ser um gesto de arrogância ou um atentado aos direitos humanos. Os bandidos sempre estão em vantagem. A população está desarmada e é sistematicamente orientada a nunca reagir. A polícia é insuficiente. Às vezes, ineficiente. Quando – e se – o bandido é preso, sua permanência atrás das grades não é certa. Há formas demais de sair, inclusive a mais estúpida de todas: a autorização legal para isso. Em função disso, temos casos de criminosos com uma lista enorme de “passagens” pela polícia. Como se fosse algo rotineiro, onde ele é levado apenas para atualizar seus registros. Tempo de cumprimento da pena? Inacreditavelmente, isso depende.

Bem, se a noção de causa e efeito no cometimento de um crime é assim relativizada pelas, digamos, circunstâncias brasileiras, esperar que um cidadão tenha consciência de que é o seu voto que vai ajudar a definir a gestão do Estado pelo período próximo pode mesmo ser exagerado. Não temos educação básica – em volume, qualidade e acesso adequados. Queremos mesmo ter educação política de alto nível? Uma coisa depende da outra. E, bem a propósito: a educação para a vida, inclusive para o convívio produtivo e equitativo em sociedade, respeitando (o outro, a lei, o que não lhe pertence e o que pertence a todos) e sendo respeitado, também dependa da educação básica. Principalmente aquela que começa em casa, com o exemplo dos pais e ações parentais coerentes e adequadas.

Roubar relógios durante uma “experiência” para rede social não é nada. Muito pior é roubar o futuro de uma geração inteira. Ou impedi-la de chegar à idade adulta sabendo o mínimo indispensável para viver dignamente.

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Estamos definitivamente condenados à ditadura da burocracia. Imagina-se no Brasil que um setor só será produtivo e funcional se tiver um órgão de regulação, gestão e administração. Isso não é nem nunca foi verdade. No carnaval da mamata petista, inventaram até um Ministério da Pesca, cuja falta é ainda menos relevante que sua nula eficácia.

Reclamam da submissão da Cultura, antes feudo de ativistas estruturalistas ou coisa parecida, ao Ministério da Educação. Sintomático do Brasil: quem critica a medida não demonstra qualquer educação. O que só comprova que a decisão foi correta.

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Em Ponta Grossa, na quinta-feira, um grupo de manifestantes fez barulho para reclamar do governador Beto Richa. Pediram-lhes que não interrompessem o evento público. Continuaram com a baderna e foram então retirados do local. Depois, no registro de quem detesta governantes do PSDB ou qualquer outro que não seja petista, a notícia foi uma só: truculência de Richa contra o grupo X.

Não é burrice, é instrumentalização. E tem gente que acredita.