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Passando a limpo

Em poucas oportunidades o país viveu dias tão impactantes. O mito do redentor dos miseráveis, o paladino dos neomarxistas, o campeão dos iletrados está ruindo. E com ele toda sua construção, inclusive o poste que ele conseguiu eleger duas vezes, com dinheiro de origem contestável. Talvez seja o melhor momento para oferecer uma alternativa de leitura e interpretação do cenário político. De opiniões, gritaria e fofocas a web está cheia. As redes sociais são ótimas na produção de palpites. Multidões gritam, usam memes e emoticons para expandir seu pensamento. Mas grande parte não sabe de onde tirou qualquer conclusão nem como foi que as coisas chegaram onde chegaram.

Aqui entramos. Fulano hoje hasteia a bandeira nacional no lugar em que costumava chacoalhar a bandeira do PT. Beltrano jura que não tem nada a ver com isso mas colocou dinheiro, prestígio e tempo para dar guarida ao bando que está sendo hoje coletado aos poucos, cada manhã, pela Polícia Federal. E tem ainda os falsos profetas, que gostam de perder o olhar no horizonte enquanto recitam platitudes e tolices em voz cavernosa. O olhar distante não mira o futuro, apenas evita que sejam vistas as movimentações ágeis logo ali abaixo. E, naturalmente, a grave orquestra dos donos da verdade, que fecundam nas universidades e faculdades clones simpáticos que ainda acreditam nas mais obtusas teorias, e depois demonstram seu apego a essas toscas mentiras em vaias, invasões e manifestos sem-pé-nem-cabeça.

Talvez seja mesmo o melhor momento para tornar claro que o Bem-Aventurado Sicrano tem os pés de barro, e que o Santo X é recheado de doações suspeitas e age como um satélite de seus financiadores.

Nestes inflamados Campos Gerais, o debate político empobrecido por conta de uma divisão caipira: os que ganharam com um contra os que perderam. As feridas de 2012 estão supuradas, abertas, com péssimo aspecto e pior cheiro. Sem contar a pose de dama surpresa (e pura) dos condôminos do governo central, que ainda tentam atrair o povo que uma vez acreditou no absurdo baixa-ou-acaba.

No rescaldo da Sexta-feira Histórica, onde o ex-tudo Lula se transformou em símbolo do fim de um sonho, passando por um vexame a que nem Collor teve que se submeter, e com suspeitas infinitamente piores do que o hoje aliado, o Paraná ganha um novo portal, um novo domínio e um novo espaço. E muito mais conteúdo.

* Escrevo ainda sob o impacto da SuperTerça, no processo eleitoral americano. Hillary Clinton pode aprontar o tailleur. Em janeiro, se tornará a primeira mulher a comandar a maior democracia do planeta. Aos subdesenvolvidos resta a esperança de que se espelhe em grandes líderes, como Angela Merkel, Michele Bachelet e Gro Bruntland, e não em populistas desvairadas como Cristina Kirchner. Para não mencionar a indizível Musa da Mosquita.

* No Brasil a SuperQuinta pode ter marcado o início do fim da última fase do horror petista. As delações do senador Delcídio do Amaral, reveladas pela revista IstoÉ (e por que não a “Veja”, que antes era tão pronta?) indicam não só a necessidade do afastamento da presidente, mas providências ainda mais graves. Não é só caso de impeachment. Se provado, é de prisão.

* Na Sexta da Libertação, Luleco foi visitado pela PF e conduzido a um interrogatório. As suspeitas são mais fortes do que as versões apaziguadoras dele e seus seguidores. O país vai atravessar esse mar de lama. E sair mais limpo. Passado a limpo.