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PMDB não quer Aliel, mas aceita Aliel

Em Ponta Grossa, pelo menos, pragmatismo tem uma lógica bastante interessante. O PMDB da cidade, por exemplo, está tentando emplacar uma vaga de vice-prefeito nas chapas mais interessantes. Há tempos esse é talvez o máximo que a sigla consiga, depois de ter decaído enormemente. Já teve vice-prefeito, presidente da Câmara (várias vezes), prefeito e deputado. Hoje, na realidade, tem intenções.

Em sua página pessoal, um dirigente partidário revelou que o PMDB de Ponta Grossa reuniu seu diretório na última sexta-feira e decidiu que até aceita coligar na majoritária – e na proporcional – com o pré-candidato da REDE, Aliel Machado, se e somente se, o PMDB indicar o vice. Isso porque, conforme o dirigente, “a maioria do diretório municipal e executiva municipal são contra a coligação com Aliel Machado. A única forma de convencer esta maioria a ir com Aliel será o PMDB ter a vice”.

Pelo que diz o peemedebista, democracia é bonito no terreno alheio. Se a maioria do diretório é contra, quem está a favor? Não é a maioria que decide? Bem, ele mesmo aventa que existe uma forma de “convencer esta maioria”, que é a indicação do candidato a vice.

Felizmente as convenções ainda estão sendo preparadas, mas o PMDB não quer perder tempo. A decisão tomada na sexta-feira, a despeito da intenção da maioria, já tem o aval do secretário estadual da sigla, deputado Anibelli Filho, e também do deputado Requião Filho. Consta até uma fala de Anibelli: “o PMDB de Ponta Grossa somente irá com Aliel Machado se tiver a vice. Caso contrário o diretório e a executiva municipal podem tomar o caminho que acharem melhor”.

Em caso contrário? Mas o partido não deve tomar o caminho que achar melhor independente do que pensa o secretário do PMDB no Estado? E se o partido resolver apoiar Aliel sem poder indicar o vice? E se não puder indicar o vice de ninguém? A maioria do partido, que alegadamente é contra uma aliança com Aliel Machado, aparentemente não está assim tão majoritária. Ou não sabe o poder que tem.

Como opções que talvez agradem à maioria, mas não aos caciques, o PMDB tem ainda o apoio às demais candidaturas. O mesmo dirigente argumenta que Júlio Küller, vereador e pré-candidato do PMDB – e tendo como negociador o deputado Márcio Pauliki (PDT) – procurou o partido já no sábado, oferecendo a posição de vice. Também argumenta, sem dar datas ou mais explicações, que o atual prefeito, Marcelo Rangl (PPS) também já “formalizou” interesse para o PMDB compor a coligação majoritária. Mas, completo eu, desta vez sem ofertas desse tipo.

Em Brasília, Aliel Machado (REDE) procura João Arruda (PMDB-PR), outro membro do clã Requião, dominante no PMDB paranaense, para obter o apoio da sigla sem a indicação do vice. Exatamente o que os peemedebistas que não querem, mas até topam, juram que não vão aceitar.

Até meados de julho até eles devem se entender a respeito. Por enquanto, todo mundo sonda todo mundo.