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Por um país sem partido

(Foto: Beto Barata / PR) - Por um país sem partido
(Foto: Beto Barata / PR)

Pais e mães responsáveis podem ter achado interessante, na espetacular abertura das Olimpíadas do Rio, a inclusão de temas dominantes nos meios de comunicação, entre eles o horror às emissões de carbono e o fantasma do aquecimento global. Alguns, como ficou evidente nas redes sociais, não conseguiram muito se identificar com o cenário tipicamente carioca de mar, música, favela & carnaval. A história do mundo em capítulos escolhidos também foi pura adesão ideológica: “sim, achamos que foi assim e o ciclo de desenvolvimento do Brasil foi exatamente esse: paraíso verde substituído por favelas verde-e-rosa”. Bom, eu não concordo. Com quase nada disso. Faço uma exceção particular a Gisele Bündchen, único exemplar do Sul do Brasil a ter espaço naquela pantomima. Mas não reclamo disso: não são os Jogos Olímpicos do Brasil. São os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Eles contam a história que mais lhes parece correta e pronto.

O que incomoda, de verdade, é que mesmo uma história de folhetim, como estão acostumados nossos cineastas, diretores e promotores culturais, precisa ter alguma lógica. E a lógica do Brasil não é aquela mostrada na sexta-feira. Nunca tivemos índios pacíficos, boas-praças e inclusivos. Tínhamos, do ponto de vista ocidental, selvagens, silvícolas sem-organização. Isso é incontroverso, apesar de muita gente não gostar dessas palavras. Mas nem é esse o ponto – e os demais equívocos, “redimidos” pela confluência entre o Cristo Redentor de verde-e-amarelo e o 14Bis virtual mostrando um Rio sem favelas. O ponto é que se trata de uma demonstração daquilo que alguns brasileiros acham insuportável.

Já somos obrigados a aceitar como verdadeiras noções de “correção social” e ações afirmativas que muito raramente se mostram eficazes. Temos que aceitar que a prevalência do animal sobre o humano é tanto objeto de “certeza” científica quanto de atitude moderna, bonita, elogiável, “de esquerda” e, portanto, indiscutível. Pois olha, não é. Nada disso é indiscutível. E o simples fato de podermos discutir isso, e de ter isso publicado aqui, é um sinal de que essa onda perversa de controle do que se quer como verdades, ainda não é hegemônica. Em alguns círculos, como boa parte dos meios universitários, é impossível não pensar fora da caixinha do left-liberal, da esquerda-pronta, ou da mortadela-sim-e-daí? Quem se posiciona diferente ganha de imediato um rótulo. O que me lembra a inspiração maoísta do velho PC, antes de ser instrumentalizado e virar satélite: tudo era razão para rótulo, todos estavam sujeitos à verificação das suas credenciais ideológicas, e submetidos a constante julgamento moral. Já não era política, era ideologia. E isso esteve, está e vai continuar presente. A menos que se impeça essa violência intelectual contra nosso futuro.

E o caminho é permitir que nossas crianças sejam submetidas desde cedo a uma visão muito particular do mundo e das relações sociais. A evolução do pensamento humano é resultado do fim das amarras ideológicas. Enquanto estivermos debaixo da prevalência do ideário de esquerda, em particular no ambiente escolar, estaremos inviabilizando o debate, desestimulando o diálogo, confinando o pensamento e atrasando nossa evolução. Não precisamos de ‘atalhos’ ideológicos que nos conduzam ao nirvana marxista. Precisamos de liberdade para pensar, escrever, falar e agir sem pagar tributo à ideologia dominante, e sem temer represálias de qualquer ordem. Ou seja, precisamos viver sob um regime de pluralidade de pensamento, multiplicidade de opinião e julgamento livre. Tudo o mais, inclusive a ditadura dos comissários do pensamento alheio, os bedéis da intelectualidade marxista, os escritores engajados e os produtores de shows com carteirinha vermelha, é o caminho do atraso, da servidão e do totalitarismo. Com o nome que se quiser dar a ele.

Escola Sem Partido é pouco: quero um país em que todas as opções ideológicas e políticas sejam aceitas. Desde já.