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Primeiros passos, últimos suspiros

Embora a vitória na Câmara tenha sido avassaladora, Dilma permanece na presidência da República. E o Brasil continua refém do petismo, agora com ameaças seguidas de baderna, terrorismo e bandidagem, que são aceitos por tolos de boa fé porque aparecem com o nome de “resistência”. Qualquer estúpido que disser que vai “lutar nas ruas” pelo governo está sugerindo desordem. E de desordem essa malta entende.

Mas estamos nos primeiros passos de um recomeço, enquanto petismo está em seus últimos suspiros. Estima-se que a votação no Senado, para apreciar o aceite da denúncia e a abertura do processo em si – daí efetivamente garantindo o afastamento de Dilma por 180 dias, no máximo, ou até decisão final em contrário daquela Casa – aconteça na segunda semana de maio. O Brasil vai ter que esperar ainda um pouco mais para enxotar essa enganação de seu cenário. Até lá, teremos que ouvir às desculpas, justificativas e exortações de quase-ex-ministros e, muito provavelmente, de futuros presidiários. Falando nisso: não tenho dúvida de que um filão que o PT ainda não explorou devidamente é o dos sem-mandato. Já controla os sem-teto, os sem-terra, os sem-vergonha e até alguns sem-voto. Com algum cuidado, pode construir uma identidade ‘social’ para o movimento dos sem-mandato. E já tem um punhado de amigos estrelados para garantir sua gestão: Lula, José Genoíno, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e uma porção mais, inclusive alguns sem-mandato encarcerados, como José Dirceu, João Vaccari Neto, Henrique Pizzolato (que o PT tentou fazer governador do Paraná) e André Vargas, outra estrela paranaense catapultada pelo PT e seus bons modos à cadeia.

As manifestações de alguns parlamentares, durante o processo de votação do impeachment foram constrangedoras. Muitas levam a crer que o fim da imunidade parlamentar é um imperativo legal. As acusações, caluniosas ou não, e as ofensas trocadas à direita e à esquerda não deveriam ser toleradas. Aliás, em alguns momentos aquele pareceu mesmo uma Casa em que se tolera demais. Como a postura do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), por exemplo, que constrange o parlamento e indigna até quem ele propõe defender.

No Paraná, apenas quatro deputados permaneceram refratários ao consenso da sociedade: Aliel Machado (REDE), Assis do Couto (PDT), Ênio Verri (PT) e Zeca Dirceu (PT). Todos os demais votaram a favor da admissibilidade do processo de impeachment. Mas o mesmo, se o quadro se mantiver, não vai acontecer no Senado. Dos três Senadores que o Paraná mantém, dois já se manifestaram a favor da presidente Dilma e, portanto, contra o impeachment. A petista, ex-ministra e ainda investigada Gleisi Hoffmann, e o ex-governador Roberto Requião, do PMDB. Cujo afilhado e herdeiro político, deputado federal João Arruda (PMDB), votou a favor do impeachment neste domingo. O outro voto é tranquilo: Álvaro Dias, mesmo tendo trocado o PSDB pelo Partido Verde, é um dos principais nomes da oposição a Dilma e ao petismo.

A batalha pelos 54 votos que serão necessários no Senado para enxotar Dilma do Planalto já está nas ruas.