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Resultados de Rangel atraem até opositores

Ponta Grossa terá neste domingo a chance de escrever um novo capítulo. Pela primeira vez desde que a cidade alcançou mais de 200.000 eleitores, uma disputa pela prefeitura pode acabar no primeiro turno – e há vários indicativos de que as chances disso ocorrer são grandes. Logicamente que a maior parte desse mérito – as chances superlativas – pertencem ao candidato que lidera todas as pesquisas, projeções e apostas, o atual prefeito Marcelo Rangel (PPS). Mas há um forte componente de exclusão das demais alternativas.

O candidato da extrema-esquerda, Sérgio Gadini (PSOL), mantém-se dentro da faixa dos (ainda) adeptos do marxismo clássico, depondo contra o modelo econômico vigente, pregando mudanças estruturais que nada mais são do que um rearranjo do discurso basista mais rançoso. Pelo meio, pretensa terceira via, Júlio Küller foi logo eclipsado pelo seu maior apoiador, um deputado estadual que, há quatro anos, também fez o possível para tentar chegar ao segundo turno – sem chance. A esquerda disfarçada, recompondo uma aliança muito parecida com a que sustentou a candidatura de Dilma à Presidência, Gleisi Hoffmann ao governo do Estado e Péricles Mello à prefeitura, reúne PT, PMDB, REDE & assemelhados de menor penetração. A cidade já disse ‘não’ a esse modelo, e a rejeição expressiva de seu candidato, Aliel Machado, por conta de uma postura de alinhamento com o governo Dilma, até sua destituição (contra sua vontade, aliás), comprovou isso várias vezes.

A grande discussão, no entanto, vai além de quem-está-com-quem. Se Aliel reuniu de novo os ‘companheiros’ da campanha da hoje ré Gleisi, se Küller está tendo monitoria de seu líder-guia Pauliki, é só parte do cenário. O mais impactante é que, como se viu no debate promovido quinta-feira, os principais opositores de Marcelo Rangel não apresentam contra ele propostas de superação, ou planos de reformular a vida da cidade, revolucionar conceitos e trazer uma nova realidade. Tudo o que fazem é prometer mais do mesmo. Com isso, o efeito plebiscitário de toda eleição municipal em que há participação do governante do período, ganha um perfil claro: a aprovação ao modelo de gestão de Rangel é indiscutível. Seus adversários não querem acabar com seus programas, desfazer suas obras nem interromper suas ações. Querem sim é mudar a forma como seus programas, obras e ações são gerenciados. Isso é tudo que têm para oferecer? Bem, nem isso. Algumas vezes, a ânsia de vencer a qualquer custo atropela o bom senso e a memória. Houve quem acusasse o atual prefeito de ter investido dinheiro demais no projeto do Lago de Olarias, por exemplo, como se isso fosse um exemplo de sua falta de consciência e de objetividade. Burrice, e dupla: o Lago é um projeto que vem sendo gestado desde o início dos anos 2000 (o projeto original data do triste período de governo petista na cidade, liderado por Péricles Mello, embora tivesse que ser melhorado, e muito, para ser executado). Ou seja, a aprovação é indubitável.

A cidade tem, neste domingo, a opção de dar uma nova oportunidade para a gestão Marcelo Rangel, certamente uma das mais efetivas em muitos anos, ou reconduzir ao poder um modelo que já descartou (mais de uma vez), agora só tendo ao leme outro figurante da mesma estrutura que conduziu Dilma ao Planalto e fez muito esforço – felizmente vencido pela inteligência do paranaense – para colocar Gleisi Hoffmann, hoje ré, prestes a ser julgada por corrupção – no Palácio Iguaçu.

O trabalho tem que continuar. Ou continuaremos, como os doze milhões de desempregados que o país herdou do modelo Lula, Dilma & cia. de fazer política, tendo que esperar por outra oportunidade.