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Um confronto útil

As eleições municipais em Ponta Grossa podem perfeitamente terminar dia 2 de outubro. No próximo domingo, uma pesquisa – a segunda, apenas, desde o início da campanha – será divulgada. Os números deverão ser conferidos com as instâncias e as avaliações de cada um. E, no entanto, vão representar um momento em que a campanha está num processo de cristalização. Em seguidas aparições públicas, um debate, uma sabatina e uma rodada de perguntas pela TV, os candidatos estão se aprofundando em suas propostas.

E resta claro que em muitos casos o caminho mais fácil foi o da usurpação pura e simples. O candidato da REDE, Aliel Machado, por exemplo, aparece na TV e defende isso quando perguntado, propondo a criação de uma lei municipal de incentivo à Cultura. Só isso já deveria ser suficiente para que seu eleitorado debandasse; como ex-vereador, ele deveria ter algum domínio sobre a legislação municipal. Como candidato a prefeito, teria a obrigação de saber que sua proposta é, sejamos benevolentes, redundante. Isso porque uma lei nesses moldes já existe em Ponta Grossa. E não é de hoje. A lei leva o número 11.528 e data de 2013. E foi sancionada, veja só, pelo atual prefeito e candidato à reeleição, Marcelo Rangel. Naquele período, quem estava em condições de participar das discussões sobre sua eficácia e legalidade era o então presidente da Câmara, um vereador do PCdoB chamado Aliel Machado, que no ano seguinte seria eleito deputado federal e agora quer ser prefeito. Mas não lembra, ou ignora, uma lei que foi aprovada na Câmara durante sua gestão como vereador!         

Não é o único a constranger seu eleitorado. Outro candidato, Júlio Küller (PMB), que até bem pouco tempo ocupava a Secretaria Municipal de Assistência Social, tem a desfaçatez de propor a construção de um parque linear onde já existem obras de terraplanagem, calçadas concluídas, parte da jardinagem e boa parte da iluminação, que fazem parte do projeto de um parque linear que já está sendo implantado e foi anunciado... pelo atual prefeito e candidato à reeleição, Marcelo Rangel.

São dois exemplos de “propostas” que levam o candidato a uma condição de extremo conforto. Se um desses for eleito, no dia 2 de janeiro de 2017 pode anunciar a plenos pulmões que esse “compromisso” foi/está sendo cumprido. E não será necessariamente faltar com a verdade. Faltar com a verdade é assumir como inexistente algo que é palpável e prometer entregar ou criar o que já existe. Como é mesmo o nome da prática eleitoreira que se dá a essa atitude?

E, no entanto, são apenas exemplos de uma campanha em que a discussão do que foi e do que precisa ser feito está se resumindo a um tom monocórdico: praticamente todos os candidatos admitem que pretendem ‘manter o que está funcionando’. Um deles, não satisfeito em deixar tudo como está, anunciou que sua grande meta para um determinado setor é legar aos seus presuntivos sucessores um projeto! Assumiu, ao vivo e a cores, que sua proposta na verdade é impraticável no médio prazo e que mesmo em um hipotético mandato como prefeito, nem mesmo ele conseguiria executar o que discute como ‘solução’.

Falta ainda um componente de confronto de histórias políticas individuais e um cotejo de efetividade. Acredito que isso será feito em poucos dias. Até porque o eleitor de Ponta Grossa merece mais do que ouvir histórias sobre estacionamentos aéreos, calçamento faça-você-mesmo e platitudes de uma vertente rançosa da esquerda funcionária.