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Uma cidade ganhando asas

A inauguração do Aeroporto Santana, em Ponta Grossa, nesta quinta-feira, é um marco histórico. Tanto pelo volume de investimentos quanto pelas perspectivas que abre. Está, desde hoje, apto a receber voos comerciais regulares, e deve ser acionado em alguns dias o sinal verde para a rota diária Ponta Grossa – Campinas. Com isso se suprime uma dificuldade ancestral: a dependência integral dos ponta-grossenses dos humores, da distância e do incômodo trajeto até o aeroporto Afonso Pena.

Mas tem outra coisa aí. Desde sempre, basicamente, governantes sucessivos tentaram transformar o aeroporto Santana (que tem até outro nome, “Comandante Hamilton Beraldo”, mas todos o conhecem assim) em algo funcional. Nunca conseguiram. A estratégia sempre foi garantir primeiro uma linha regular e só então investir na melhoria das instalações. A pista oferecia condições modestíssimas. Pelo regimento da técnica aeronáutica, o pavimento era padrão 8, em termos de resistência. Agora, subiu para 98. Ganhou iluminação eficiente, equipamentos de comunicação, um sistema de combate a incêndio (o antigo, nunca usado, deve ter sido “aposentado” há muitos anos) eficiente e moderno e até mesmo um terminal de passageiros digno desse nome. O que havia até então era um galpão, sazonalmente reformado e sistematicamente abandonado. De quando em quando, ganhava pintura, reforma no telhado, balcões, novas janelas e placas nas paredes. Circunstancialmente, era reinaugurado. Com festa e tudo, e às vezes até a perspectiva de linhas regulares.

E aí está a diferença. Até este ano, a lógica sempre foi viabilizar primeiro a linha e só depois o aeroporto. Marcelo Rangel (PPS), o prefeito que superou a maledicência e a ironia para mostrar que isso era possível, fez o contrário. Primeiro conseguiu reformar, ampliar, modernizar e homologar o velho aeródromo. A pista ganhou outro status e há segurança permanente, gerência efetiva e funcionalidade. E, por necessário, homologação oficial. Aí era muito mais fácil tentar convencer uma linha aérea da viabilidade de operar um mercado crescente, grande e aberto. Em oportunidades anteriores, havia até uma lista de intenções de compra de passagens, item considerado insubstituível pelas aerolinhas, para operar vôos regulares em Ponta Grossa. Bem, nunca funcionou, e as intenções ficaram sendo apenas isso.

 Agora a Azul participou da festa de inauguração, obteve a garantia de querosene mais barata – com ICMS reduzido – e promete abrir a venda de passagens para sua linha fixa. Em se tratando de uma questão que se arrasta há umas quatro décadas, e que chegou a ser mote de campanha em diversos quadriênios, fica evidente de se trata de um avanço considerável. Tanto quanto a mudança do perfil econômico dos Campos Gerais, cada vez menos dependente do agronegócio. Mas essa é outra história.