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"A Noite dos Longos Punhais": a chacina ética praticada pela Câmara

A noite de 30 de junho e a madrugada de 1 de julho de 1934 ficaram conhecidas como a “Noite dos Longos Punhais” (ou “Noite das Facas Longas”) porque, em seguida à ascensão de Adolf Hitler ao cargo de Chanceler da Alemanha, seus partidários exterminaram os adversários do Partido Nacional Socialistas, incluindo a organização paramilitar Sturmabteilung – as SA, famosas por suas camisas pardas – e seus líderes, entre eles Ernst Röhm, o chefão.

A noite de 29 e a madrugada de 30 de novembro de 2016 passaram para a história do Brasil como a “Noite dos Longos Punhais” que o Congresso utilizou para atingir pelas costas a Nação, que exige – e milhões foram às ruas para isso – o aumento da punição aos corruptos e corruptores. E o que receberam? Um conjunto de medidas contra os perseguidores dos corruptos.

 O pacote das Dez Medidas Anticorrupção elaborado pelo Ministério Público Federal, endossado por mais de dois milhões de pessoas e transformado em doze ou treze pela comissão especial que o analisou foi aprovado na integralidade pelo plenário da Câmara no final da noite do dia 29. Mas durante a madrugada do dia 30 – quando poucos se dispunham a acompanhá-los pela tevê ou internet - os punhais entraram em ação, e o pacote foi radicalmente desfigurado por suas excelências.

O partido que mais patrocinou as alterações foi o PT, seguido do fiel PDT e dos rebeldes PP e PMDB – todos enroladíssimos na Lava Jato e que, portanto, legislaram em causa própria.

A tipificação do caixa dois como crime - o item mais polêmico - foi mantido na íntegra (pois a tentativa de anistiá-lo havia causado comoção pública), mas, em contrapartida, suas excelências se insurgiram contra seus algozes, os promotores, juízes e policiais, enquadrando-os no crime de “abuso de autoridade” e "violação de prerrogativas dos advogados"; pouparam partidos e seus líderes de punição penal pela eventual prática desse crime, etc. etc.

Algumas alterações, convenhamos, foram apropriadas: não teria sentido compensar financeiramente qualquer cidadão que denunciasse crimes de corrupção nem admitir como válida provas obtidas ilegalmente embora de “boa-fé”.

A perícia da “Noite dos Longos Punhais” encontra algumas atenuantes. Mas o cenário não deixa dúvida: o que a Câmara praticou foi uma chacina ética.

Os que apunhalaram a nação e os que não

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