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A sentença de morte (e precisa) sobre a índole de Paulo Bernardo

“(...) esse cara (Bernardo) é tão bandido quanto o cara que me aponta a arma e leva minha bolsa."

Ana Giori, servidora da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), em São Paulo, em entrevista ao Globo/Extra.

Dependente de crédito vinculado há 16 anos, afirmou que, ao saber que tinha sido vítima de um golpe comandado pelo ex-ministro Paulo Bernardo, “chorei por mim e pelos meus amigos. Eu estou indignada”.

A desonra (mais que) merecida de Paulo Bernardo

Pode haver maior desonra do que ser preso na frente dos filhos?

Não conheço outra situação mais aviltante.

Foi o que aconteceu com o ex-ministro Paulo Bernardo, quinta-feira passada. Ele foi surpreendido no apartamento funcional ocupado pela companheira conjugal, a senadora Gleisi Hoffmann, em Brasília. Os filhos, menores de idade, assistiram à sua detenção e à operação de busca e apreensão dos pertences do pai.

O ex-ministro - de Planejamento no govermo Lula e de Comunicações no Dilma - é acusado de comandar um esquema de desvio de dinheiro de servidores endividados do governo federal por meio de empréstimos consignados. Empréstimos que tiveram a taxa de administração triplicada para garantir o lucro da empresa – a Consist – e remunerar seus “padrinhos”: o ex-ministro, agentes públicos, entre eles o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, amigão de Dilma, e o diretório nacional do PT.

O esquema criminoso arrecadou R$ 100 milhões, estima a Justiça Federal, surrupiados dos trabalhadores – justamente a categoria que dá nome ao partido ao qual pertencem os criminosos.

Suspeitas sobre a conduta de Bernardo o perseguem desde que apareceu numa lista de beneficiários de dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina, na administração de Antonio Belinati. O dinheiro, segundo o MP, abasteceu a campanha de Bernardo, que tentava o terceiro mandato como deputado federal. Derrotado, assumiu, em 1999, a Secretaria de Fazenda do Mato Grosso do Sul, o primeiro estado a ser governador por um petista – Zeca do PT. E, então, as suspeitas sobre Bernardo se avolumaram.

Apesar de volumosas, não prosperam, mas Bernardo descobriu um filão promissor de negócios aparentemente seguros: os empréstimos consignados, expertise que levou para Londrina, para onde voltou, dois anos depois, para comandar também a Fazenda na administração do petista Nedson Micheleti. Com as benções do PT, que controlava o sindicato dos servidores municipais, Bernardo intermediou a contratação do Paraná Banco para conceder empréstimos ao funcionalismo. O procedimento foi aperfeiçoado e ampliado no Ministério do Planejamento, por meio da Consist.

O retorno a Londrina, seu reduto eleitoral, era uma escala necessária para Bernardo reassumir uma cadeira na Câmara dos Deputados. A um amigo, confidenciou que, caso voltasse, agiria diferentemente dos mandatos anteriores, nos quais se destacara na denúncia à corrupção – integrou a CPI do Orçamento: “Quero fazer grandes negócios”, disse ele ao amigo, “assim como outros petistas fazem”. E foi além: “Lula é quem mais faz negócios no PT”.

Seu comentário foi profético, tanto em relação a ele quanto ao líder do PT: Bernardo fez um “grande negócio” que lhe rendeu R$ 5,4 milhões roubados dos trabalhadores federais – e isso pode ser apenas a ponta do iceberg. E Lula se revelou, de fato, o melhor negociante do PT – tanto em volume de dinheiro arrecadado ilegalmente, quanto na arte de dissimular sua índole a ações criminosas.

Bernardo, o assaltante de trabalhadores endividados, mereceu a desonra de ser preso na frente dos filhos. Lula está a caminho de ser preso, consumando uma desonra ainda maior, pois deverá levar consigo, mais cedo ou mais tarde, parte da família, que se associou a seus crimes.

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